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domingo, dezembro 01, 2013

O Athame e suas questões



Uma das ferramentas principais. Icônica. De beleza impar e com status de mistério e antiguidade.
Particularmente, adoro meu athame, está dentre os instrumentos mais belos que eu tenho, e foi o primeiro que eu investi uma boa quantia de dinheiro.
Mas vou parar de babar no meu athame e começar o texto. Mas já deixo claro - se isso já não estiver subentendido - que o texto é uma opinião apenas minha! Não reproduz necessariamente os pensamentos de Breno ou do Travanás. Igualmente, meu objetivo não é ofender vocês que tem athames de pedra ou madeira.
Leia o texto, concorde, discorde ou ignore, mas não me venha como uma criança berrando nos comentários com um monte de ofensas vazias. Discorda de mim? Debata, não venha ofender. A ofensa, ao meu ver, é a declaração de derrota de um incapaz.

Ás de Espadas - Tarô de Marselha
"O ferro notoriamente tira seu poder do fato de que era um material melhor e mais raro do que madeira ou pedra para fazer ferramentas, e em segundo lugar do modo misterioso pelo qual foi originalmente encontrado: em meteoros. Era preciso um especialista e trabalhador habilidoso para obter o ferro do minério e endurecê-lo. Na verdade, temos muitos povos que consideram seus ferreiros como mágicos... entre eles os Wayland aparecem como ferreiros por excelência. A figura de seu impressionante ferreiro (saxão) simbolizando a princípio as maravilhas do trabalho com metais...tornou-se sujeito de lendas heróicas"
Anglo-Saxon Magic (Gordon Press, NY 1974)

Seria exagero dizer que todo bruxo tem um punhal? Bem, se não todos, uma boa maioria possui. "Em muitas tradições é chamado de athame, na tradição Escocesa ele é oi yag-dirk e na tradição Saxã, o seax" (BUCKLAND). Normalmente possui uma lâmina de aço de dupla face.

Hoje, comumente, o athame é tido como um instrumento fálico, ativo, esta para O Deus como o cálice está para A Deusa. Usado para direcionar energia - traçar e destraçar o circulo, fazer invocações e evocações... geralmente associado ao Elemento Ar - outros associam-no ao Fogo.
Não há padrão quanto ao tamanho - deve ser confortável ao bruxo..

Muitos já devem ter ouvido, que o Athame só pode cortar o ar, não pode cortar nada físico, nem mesmo ervas - para essa função, se usaria um boline. Na Wicca o athame não pode cortar nada físico, apenas o ar, usado apenas no Circulo para propósitos ritualísticos, em outras tradições (a Escocesa, por exemplo) há a crença de que o bruxo deve usar a ferramenta com a maior frequência possível, pois considera-se que quanto mais ela for usada, mais mana ela vai adquirir
Usar seu athame apenas para cortar o ar eu até aceito, mas dizer que ele não pode ter fio de corte? Acho extremamente exagerado.
Um athame é uma lâmina! É o que ela é. Mesmo que nunca vá cortar nada além do ar, acho válido sim ele estar afiado, por mera questão de respeito à sua ferramenta.
Basta parar pra pensar, o que é uma lâmina cega? Chega a ser pejorativo, ao meu ver.
Renda-se à verdade de seu instrumento, ao seu propósito. Muitos gostam da analogia que comparam a magia à uma faca - que pode cortar o alimento ou ferir uma pessoa, o que muda não é a faca mas quem a manuseia. Gostam de usar essa analogia para explicar que não existe magia branca ou magia negra, mas deixam seu próprio punhal sem fio, incapaz de cortar o alimento ou ferir o inimigo.

Procurei saber da origem dessa 'proibição'. Inicialmente, acreditava que esta era um dogma wiccano, mas segundo o Coven de Wicca Tradicional (Gardneriana) - Vassoura Sagrada - eles compartilham da mesma opinião que a minha.
Talvez em algum momento, para desmentir a crença popular que bruxas sacrificam gatos com seus athames, alguém disse que o athame não podia ser afiado e todos acreditaram
Não quer afiar seu athame? Ok. Não concorda comigo? Tudo bem! Mas não espalhe por ai uma crença fruto de um senso comum sem qualquer profundidade ou razão verdadeira. 
De qualquer forma, expus minha opinião. Aceite-a afie seu athame, ou simplesmente ignore continue com a lâmina cega


segunda-feira, novembro 25, 2013

Festivais - a Roda do Ano



Continuando a série "Por um Caminho Diferente da Wicca", agora vou abordar os Festivais - para maioria, os Sabbás e Esbás.
Vou falar um pouco sobre a Roda do Ano wiccana e depois mostrar como eu celebro os deuses e o ciclo da natureza. Não pense que pode simplesmente pegar o modo como eu faço e copiar que vai dar certo. Não. Esse calendário eu fiz a partir da minha realidade, para os deuses que eu venero, e para a região onde eu moro. 
Use como exemplo, ou não...tanto faz.

Os Esbás


Resumindo ao extremo: são ritos em honra à Lua.
Considero venerar a Lua algo essencialmente bruxesco. Não importa sua Tradição, não importa sua vertente, o culto à Lua parece ser algo natural para o bruxo.

"Por que cultuar uma deidade a quem não podemos ver quando possuímos a Lua em todo seu esplendor?"
 - Charles G Leland - Arádia, O Evangelho das Bruxas - Pg. 101

Há tradições que veneram todas as fases da Lua, outras apenas as fases Nova e Cheia, mas o mais comum é que os Esbás sejam em honra à Lua Cheia - 13 luas cheias no ano, 13 Esbás.

Como eu celebro


Eu celebro a Lua Cheia e a Lua Nova.
Por venerar exclusivamente o panteão grego, preferi pegar seus nomes também.
Na Lua Cheia, celebro a Dikhomenia, em honra à Selene.
Como já expliquei na primeira parte dessa série, julgo de extrema importância observar a particularidade dos deuses, e como não sou essencialmente duoteísta como a wicca, não vejo razão para chamar um par masculino para Selene. O que quero dizer é que, nas celebrações em honra à Lua/Selene, eu chamo apenas Selene.


É uma época de grande poder, perfeita para encarar fatos difíceis e meditar suas motivações. Atente-se também aos juramentos que faz nesse período.
Na Lua Nova, celebro a Noumenia e o Deipnom de Hekate.
A Lua Nova marca o fim do ultimo mês e o começo do novo. Aqui, não só venero Hekate, na noite mais escura, como a "Portadora da Luz", como também peço por um mês favorável.
Livrar-se do velho também é um processo ritualístico poderoso. É quando eu queimo as ofertas votivas que ficaram no altar durante todo o mês, é quando eu esvazio o conteúdo do meu Kathiskos e e preencho-o com um novo conteúdo.

Como celebrar


Bem. Se está lendo esse texto, talvez esteja iniciando no caminho da Bruxaria por agora. Se é principiante não vou colocar o carro na frente dos bois e colocar aqui um monte passos ritualísticos, cânticos e hinos para você fazer seu ritual.
Vamos com calma. Passos de bebê.
Acredito que pequenos atos possuem grande poder. Podemos começar apenas observando a Lua Cheia. Admirando sua beleza... observe-a plena no céu e deixe que sua mente divague, pensamentos surgirão, talvez você nunca tenha realmente parado para observar sua beleza. Tente sentir a energia d'Ela banhando-te na noite.
Se tem uma divindade lunar em especial, procure por hinos em sua honra. Faça as vezes de um poeta. Recite algo relacionado à Lua - não precisa de um ritual complexo - apenas acenda um incenso, observe a Lua e recite para Ela. Acredite, já é um grande começo.


Os Sabás


Também já explanei sobre eles na primeira parte da série.
Lá eu disse que é importante para um bruxo celebrar os ciclos da natureza, e os Oitos Sabás Wiccanos são os festivais mais comuns e conhecidos.
(Aqui eu tinha uma graaande discussão sobre Roda do Norte e Roda do Sul... mas preferi não colocar. Provavelmente tiraria o foco da postagem, alem de gerar um debate inútil que nunca leva a lugar algum. E mais importante, o objetivo da postagem é ir alem dos 8 sabbás)

Mas repare que o objetivo não é largar os oito sabbás como se eles fossem absurdos ou algo do gênero. Muito pelo contrário! São festivais que já estão muito agregados à nossa cultura, o que eu proponho é que saia da zona de conforto e os explore mais, e principalmente, para que você não fique limitado a eles.
Inúmeras vezes eu lembrei da importância de observar a particularidade de cada divindade cultuada, e por isso deve-se sim separar um dia - um festival - para cada divindade de sua predileção.

Alias, acredito que você celebrará pelo menos uma roda do ano tipicamente wiccana enquanto observa e aprende sobre os eventos da natureza a sua volta no decorrer do ano.

Bem, entrei em contato recentemente com a Roda do Ano Piaga e me pareceu uma proposta bem interessante! Uma roda de ano feita a partir da observação das caraterísticas climáticas da região, bem como dos festivais já existente e que já fazem parte da cultura local.




Não vou enganá-los e dizer que só ao terminarem de ler este texto vão estar prontos para construir seu próprio calendário de ritos. Isso demanda estudo e prática. Vá celebrando a Roda do Ano Wiccana por enquanto, mas mantenha os olhos abertos à sua volta.
Repare nas frutas que só aparecem em determinadas épocas, repare quando começa o período de chuvas,o período de seca, há algum festival regional interessante? Em Litha você se esforça para botar um Gira-sol no altar, mas será que não teria alguma flor ainda mais representativa na sua região?
Bem, a Roda do Ano Piaga é um bom exemplo - apesar de ainda achá-la muito presa à roda wiccana - para saber mais sobre ela, clique aqui

Como eu Celebro


Na Wicca temos os quatro sabbás menores - Yule, Ostara, Litha e Mabon - que são os solstícios e equinócios e os quatro sabbás maiores - Imbolg, Beltane, Lammas, Samhain.

Onde eu vivo há apenas duas estações bem definidas - um verão quente e úmido e um inverno seco e ameno, então eu celebro ambos os solstícios. O equinócio de primavera, temos as primeiras chuvas depois de um longo período de seca, então eu também o celebro como a Chuva das Flores (como é chamado aqui na região).
O equinócio de Outono não tem grandes reflexos na região, mas eu o observo como ponto de equilíbrio - dia e noite com a mesma duração, um fenômeno a ser observado.

Quanto aos sabbás maiores, eu já aconselhei a observar a essência deles. Beltane - como um rito de fertilidade, Samhain - para honrar os antepassados. Curiosamente, por exemplo, na Tradição da Lua Negra, Lammas se associou bastante com o Carnaval...

Além disso, visando a particularidade dos deuses, tenho festivais exclusivos à eles. Os deuses de minha predileção são Hekate, Hermes, Hefestos, Ares, Athena e Hades.
Por venerar apenas o panteão grego, os Reconstrutivistas Helenicos me ajudaram e muito nesse aspecto.
Seguindo o calendário lunar (que começa na lua nova), no primeiro dia do mês, venero Hekate, no segundo dia Agathos Daimon, no terceiro Athena, no quinto Hermes, Selene na Lua Cheia...

Eventos civis podem ser bem adaptados também. Um exemplo? Uma libação à Gaya no Dia da Terra (22 de abril). No dia das Mães, prestar honra a Réia, Hera e Demeter, no Dia dos Pais honrar Zeus Pater.
E claro, temos o famoso 13 de Agosto, consagrado como Dia de Hekate

Também associo alguns deuses a algum mês e presto-lhe uma libação em honra a ele: Maço-Hefesto; Julho-Atena; Agosto-Hermes; Novembro-Ares; 


Como celebrar


Sem mistérios: estudando e observando.
Compre uma agenda, marque as datas dos Solsticios e Equinócios (sim, esse estudo vai demorar no minimo uma ano, se você já ficou com preguiça, pare agora pois na bruxaria você nunca para de estudar). Marque também a data dos quatro sabbás maiores da wicca (do seu hemisfério, é claro).

Vamos lá, equinócio de primavera...o que mudou na sua região? Chuvas? Seca? Alguma fruta da época? ANOTE TUDO!! Veja como os equinócios e solstícios mudam o tempo da sua região.
Nos sabbás maiores, observe se não da para você associar com alguma festa da sua região, descasque o objetivo do sabbá. Como eu disse, na TLN Lammas se tornou muito intimo do Carnaval. Lammas já tinha um caráter de colheita, de festividade...não tem tutorial para fazer isso, vai ter que partir de você. Pergunte-se da razão dos antigos celebrarem nesta data, o que era celebrado, como era celebrado...algum aspecto se reflete hoje? Meditação nunca é demais, as respostas virão.

Monte um calendário. Esbás temos todos os meses...tem mais algum outro festival que será mensal? No meu exemplo, venero Hekate no primeiro dia, Agathos Daimon no segundo, Atena no terceiro e Hermes no quarto dia...

Algum panteão de preferencia? Pesquise a fundo os festivais originais e adapte-os a sua realidade. Algum deus de predileção? É possível que ele também tenha seus próprios festivais, então agregue-os ao seu calendário.
Tente também associar eventos civis à divindades - como no exemplo, fazer uma Libação à Gaya no Dia da Terra

Ao ritual em si...não precisa ter pressa, um ritual sem preparação, sem alteração de consciência, não passa de palavras e gestos teatrais. Comece com pequenos gestos, como eu disse, eles tem grande poder. Observar, recitar poemas, acender velas e incensos...meditar!! Olhar para os deuses fara com que eles olhem para você. Eles te mostrarão o caminho.




Bônus: FAQ para Novos Bruxos
Instrumentos: Athame


segunda-feira, novembro 11, 2013

Por um caminho diferente da Wicca



Apesar de tão 'humilhada' pela comunidade geral, mesmo escrevendo absurdos e mais absurdos, muitos começaram a trilhar o caminho da bruxaria lendo as revistas "Wicca" - de Eddie Van Feu.
Apesar do curioso nome, de wicca a revista nada tem -ou muito pouco tem. Mas esta não é a questão. A questão é que, como eu disse, muitos começaram a trilhar seu caminho na Arte por este meio. Há os que tiveram discernimento para continuar estudando e abandonaram as bobagens esquisotéricas, outros se permaneceram atolados em fontes duvidosas e limitadas.

Mesmo quem não começou estudando as revistas "Wicca", ainda assim começaram a estudar pela Wicca. E esse é o ponto deste texto e é onde eu quero chegar com essa introdução massante banhada de redundantes redundâncias.
"Para aqueles que querem praticar bruxaria, o único meio de se começar é estudando Wicca?". Não é demasiado limitado, mesmo para aqueles que não querem seguir na wicca, devam começar pela wicca?
Minha critica não é para com a Wicca. Gardner, seguido por Sanders e Buckland prestaram um enorme serviço à bruxaria, tornaram a Arte mais acessível à aqueles que antes não teriam a menor chance de trilhar tal caminho. Minha critica é só contra o limitado numero de opções.
Até mesmo aqui, no blog, os livros indicados para os iniciantes falam sobre Wicca.

Do Breno e do Travanás eu sou o que estou mais distante da Wicca, por isso sou eu a escrever esse texto.

O que proponho aqui é um meio alternativo. Não espere algo extremamente original, um culto absolutamente novo, afinal, é quase impossível desassociar bruxaria moderna e contemporânea da Wicca e suas práticas, e claro, este é só um meio alternativo de se começar! Continue a estudar, evolua, mude, inicie suas próprias práticas.

Divindades


A Wicca é, essencialmente, mais duoteísta que politeísta. Você já deve ter ouvido a frase "todos os deuses são um só Deus e todas as deusas são uma só Deusa". Em seus ritos sempre são invocados um casal divino - menos, é claro, as Tradições Diânicas.

Já eu penso de outra maneira. Não gosto da ideia de unificar distintas divindades, destruir suas particularidades e dizer que na verdade ela é só mais uma 'face' ou 'parte' de uma divindade maior. Pã não é no panteão grego o paralelo de que é Kennunos no panteão celta. Pã é Pã, Kernunos é Kennunos - simples assim.
Há algum panteão com o qual se identifica? Há uma divindade pagã que chama sua atenção? Estude-a! Preste-lhe homenagem, faça-lhe oferendas. Conecte com tal divindade.
Abandone a visão abraâmica do divino. Deuses não são seres inalcançáveis. O paganismo é demasiado plural, mas é consenso no neopaganismo as crenças anímicas - deuses que estão na natureza, deuses que são a natureza.
E lembre-se do que o antropocentrismo cultural nos fez esquecer: nós também somos parte da natureza! Logo, o divino também está em nós. Aprenda a reconhecer o divino à sua volta, bem como dentro de você mesmo.

Altar


O altar padrão de um wiccano tem uma vela branca para o Deus, uma vela preta para a Deusa, e um instrumento representando cada um dos elementos - athame, calice, pentáculo e vela.
Mas como estamos reconhecendo as divindades em suas particularidades, logo esse altar padrão para "o Deus e a Deusa" não serve no nosso caso.
Quer montar um altar para Zeus? Então monte um altar para ZEUS.
Não precisa de muito, um bom altar pode ser montado com elementos simples:
 - Uma representação da divindades
 - Uma vela (ou velas)
 - Uma vasilha de libação
 - Cálice
 - Um incensário e incensos.

Se você tiver onde comprar e estiver em condições de investir um pouco mais, compre uma estatua da
A Alta Sacerdotisa - 
The DruidCraft Tarot
divindade em questão, se não, basta uma alternativa barata: busque na internet uma imagem que melhor lhe representa, revele a imagem como foto, compre uma quadro que lhe agrade e coloque no altar.
Pesquise sobre a divindade, leia sua mitologia, saiba o que lhe era oferecido, desta forma compre uma vela (ou velas, ou uma vela de 7 dias...)  e unte com um óleo feito de uma erva associada a tal divindade. A mesma coisa na compra do incenso, compre um com o aroma associado à divindade.
Quer um exemplo?
Digamos que queira montar um altar para Hefestos. Depois de uma rápida  pesquisa descobrimos que sua cor é o marrom e as plantas que lhe são atribuídas são o olíbano, a babosa e a papoula de fogo. Logo, compre uma vela marrom e a unte com essência de olíbano. O incenso pode ter igualmente o aroma de olíbano.

No cálice colocaremos algo para servir de libação. Vinho costuma ser a primeira escolha, mas como eu disse, leia a mitologia, estude a divindade, se encontrar alguma bebida que ele aprecia mais....
A vasilha de libação, bem, é para fazer libações! (rs). Ela pode ter terra, onde você irá verter suas oferendas. Elas também podem conter oferendas permanentes. Moedas para Hermes, ovos e maçãs para Hekate... são alguns exemplos.

Altar para Poseidon  - RHB.
Repare nos elementos: incensos, velas, a vasilha de libação, uma vasilha
com água do mar e uma estatueta da divindade

E como eu já disse, o pensamento wiccano não entra aqui. Não precisa ser um altar para uma unica divindade, mas também não precisa ser um casal. O importante é que haja uma vela e uma vasilha de libação para cada divindade. Ou você pode criar pequenos altares em diferentes lugares da casa.
Mas claro, há precauções: quer venerar divindades de diferentes panteões? Tudo bem, mas cada panteão em seu respectivo altar. E claro, tenha a preocupação de não colocar no mesmo altar divindades que tenham alguma "rixa".

Altar de Hermes - RHB
Mais um vez, repare na diferença de um altar feito especificamente para um deus.
Aqui, não vemos o athame ou o caldeirão, temos apenas símbolos de Hermes.
As moedas e as cédulas são ofertas votivas - deus dos comércios, a cédula de
2 reais tem a tartaruga, um dos animais consagrados à Hermes. No fundo, um mapa
múndi para o deus viajante.


Festivais


Essa é uma parte interessante!
Como eu já cansei de dizer, respeite a particularidade dos deuses. Uma boa maneira de prestar-lhes homenagem é estudando-o, aprendendo como antigamente ele era venerado, em quais festivais ele era honrado. Se você gosta do panteão grego, procure sites de Reconstrutivismo Helênico, panteão Hindu? Estude o hinduísmo! Panteão Nórdico? Estude Asatrú...e por ai vai. Mesmo que não vá seguir suas respectivas práticas, é importante aprender a maneira que neopagãos estão adaptando o culto dos deuses antigos.

Adapte o culto à sua realidade, realize oferendas, queime incensos, medite! Preste uma vênia cada vez que cruzar com o altar...atos simples mas de grande poder.

Na Wicca temos ainda os 13 Esbás e os 8 Sabás.
Não nego sua importância. Acho interessante o bruxo celebrar os ciclos da natureza.
Celebre os Esbás. A cada Lua Cheia - ou a cada mudança de fase da lua (melhor ainda eu diria) -  celebre-a, sinta sua energia. Crie seu próprio ritual para venerá-la, chame por uma divindade lunar.
Não precisa ser um casal! Se vai venerar Selene, por exemplo, não significa que tenha que chamar Pã para o mesmo ritual.

Quanto aos Sabás, a escolha é sua. Os sabás são festivais wiccanos, não há obrigatoriedade em ser bruxo e ter que celebra-los. Mas se for celebra-los, só aconselho e pensar neles na sua essência: como festivais que celebram ciclos da natureza.
Ritos de fertilidade, solstícios e equinócios, homenagem aos ancestrais...tudo isso pertence à natureza e não a Wicca. E se o objetivo é celebrar os ciclos da natureza, aquela velha discussão sobre Roda do Norte ou Roda do Sul perde totalmente o sentido. Vai celebrar o Equinócio de Outono? Então celebre o Equinócio na data do Equinócio!
Para fugir ainda mais das limitações, sugiro que até esqueça dos nomes tradicionais (Samhain, Yule, Beltane, Mabon...). Dê seus próprios nomes, observe a natureza à sua volta, o que os solstícios e equinócios trazem de diferente na sua região? Alguma fruta de época? Coloque-a no ritual.
Nos sabás maiores, veja o que é celebrado e faça associações para criar seus próprios ritos:  Beltane - Rito de Fertilidade;  Samhain - homenagem aos ancestrais mortos...e por ai vai.

Títulos e Honrarias 


Alta-sacerdotisa, Sumo-sacerdote, Elder, Primeiro Grau, Neófito.... FO-DA--SE
Você não precisa de títulos pomposos. Bruxo é uma denominação que lhe basta.
Bruxaria não é religião, é Arte e Oficio. Wicca sim é uma religião, e por isso há lugar para uma figura sacerdotal. Entendeu a diferença?
Você está estudando bruxaria, praticando bruxaria, você está servindo aos deuses... para nada disso é preciso de um titulo. Cultuar determinada divindade não te faz sacerdote d'Ela, e com toda certeza não te faz filho d'Ela - a menos que você seja uma semi-deus.
Seja bruxo, trilhe o caminho, pratique a Arte, você já único, escolheu um caminho para poucos, não precisa de títulos.

Traçar o Circulo?


Sim!
Wiccans e bruxos de maneira geral abrem o Circulo e e chamam os quadrantes.
Essa prática vai alem de proteção, o Circulo também é a sua maneira de consagrar o espaço, prepara-lo para receber a divindade, estabelecer um limite entre o Reino dos Deuses e o Domínio dos Homens.
Alem disse está em reconhecer a si mesmo como divindade. Você traçou aquele Circulo, então você é o deus daquele espaço.

Mas e agora?


Você leu tudo isso, seguiu meus conselhos...ou os ignorou, tanto faz.
Mas para aqueles que não ignoraram, vocês devem estar se perguntando, "mas e agora?"
Bem, claro que não poderia ser só isso. Este texto é só uma apresentação de um caminho, estudo e praticas diferentes da Wicca. Então continue acompanhando o blog, vou escrever outros textos do gênero alem de indicar livros sobre o assunto.

E, na geração Twitter, aqueles que leram até o fim este texto relativamente grande, meus sinceros agradecimentos.
Se tiver alguma duvida, deixe nos comentários.

Hekator



Parte 2: Certo? Errado?...Aceitável
Parte 3: Festivais - a Roda do Ano

Bônus: FAQ para Novos Bruxos
Instrumentos: Athame

terça-feira, novembro 05, 2013

Agregando Valor ao seu Círculo



EU SOU TRAVANÁS TRAVALESCA MONSTER ALBUQUERQUE, CDC DO BRUXARIA HIPSTER, TARÓLOGO POR OPÇÃO, VAGABUNDO POR NECESSIDADE, AQUARIANO DESDE NASCIDO E HOJE VOU ENSINAR A VOCÊS A AGREGAR VALOR AO CÍRCULO!

*toca Jesus humilha satanás*

AGREGUE VALOR AO SEU CÍRCULO!!!!
Os dez mandamentos são os seguyntches:



1) VESTIMENTA: Use um manto/capa/vestido Versace, Armani ou Prada. Se entrar com roupa da C&A/Riachuelo os deuses vão te expulsar fazendo quadradinho de nove e você vai cair no conceito do clã.



2) MEIO DE TRANSPORTE: Tenha aquela vassoura babadon e potente, cheya das fitinha do mastro de beltane, de nosso senhor do bonfim, e tudo multicor, arco-íris. Quem se importa se você é Daltônico? Quem se importa se parece que você tá indo pro São João fora de época? FITINHA NA VASSOURA é tendência! Os deuses aprovam!



3) ONDE FICAR/KAMA-ROTE: Quando a pessoa tá no círculo, ela é mais uma. Fique perto do Sacerdote ou da Sacerdotisa, ou no caso, se você é um bruxo solitário, fique perto de si mesmo ou das entidades que exalam poder (acaso você tenha algum distúrbio emocional, vale a pena também imprimir o rosto de uns magos fodões como Laurie, Gardner, Paulo Coelho, colar num boneco de posto (que precisa estar ligado e balançando os braços) e se sentir super polêmyca e xamânica com a companhya babadon!) É uma questão de status, é uma questão que tda bruxa ker, é necessário fazer ynveja nas ynymyga, keryda!



4) SERVIÇOS: Seja nojenta. Se o sacerdote ou a sacerdotisa forem servir comida, espere em seu lugar, cruze as pernas, faça cara de Cleópatra e sempre peça o melhor. Juno não te pariu pra você comer patê de pavê ou pra comer, né cremosa? Se o santo descer em você e ele te obrigar a comer no chão, não coma! Lute contra isso!!!!! Coma, faça, viva, mas, faça com classe.



5) SEGURANÇAS: Use pentagramas (na1 os confumda com hexagramas!!!!!!!!!!!!)!!!!!!!!!!! Mas, não de bijuteria ou latão ou ferro pq o tétano tá aí. Use um de prata ou de ouro, não pode ser menos de 90 reais. Tem que estar protegido, mas, tem que estar a cara da rikeza né Sarajane? Abre o círculo, mas, abre com realeza. AH, CLARON, se aquela entidade/deus baixar no colega ao lado, fuja! 90% certeza que é esquizofrenia atacando, pode ser perygonson.



6) KASHAÇA: Tem-que-ter. Espírito bom é espírito que ou toma kashaça ou jurupinga. Pra quem tá no além, monamu, até uma água benta já pira o kabeção. Pega aquela vela ritualística, coloca presa com fita durex ao lado da boca da garrafa e ofereça às entidades/deuses/santos!!! Se eles estiverem perdidos no caminho, eles verão a luz e sentirão o cheiro dessa delycya e vão te encontrar rapidinhow. E tem um extra: dá pra colocar a garrafa no chão, descer até a boquinha dela e ainda keimar a rosca! EIKE DELÍCIA MULTIFUNCIO-ANAL!



7) FAMOSOS: Recorte da caprycho a foto de lady gaga / beyonça / katupiry / $heka / enfim, essas entidades que agregam valor e cola por cima da foto que outrora estava nos bonecos de posto. Tudo tendência, tudo luxo, tudo brilhante e perfeitchon. Se um dos bonecox criar vida e começar a cantar e dançar, deixan, nada de dar marretadas ou passar a serra elétrica, é a artista entrando em viagem astral e vindo pular o carnaval em seu circulo, goxtosa!!!



8) MULHERES: Tem-que-ter. Sabe pq? Pq mulher atrai boy magya. E pra fazer uma festa de Athames (caldeirão n entra), a gente fala que tem um momento só pros boy, leva eles lá pro meio do bosque e mostra que existe coisa que pisca mais que vagalume e aquele troço de árvore de natau. Se eles não quiserem, diga que faz parte do protocolo, keryda. Naquele momento vc não é um boy, voc é a afrodite encarnando, aceita.



9) MÚSICA: Olha, aquelas coisas básica. Se tu cultua o panteão egípcio: madonnan. Se cultua o grego: marina e os diamantes. Se você cultua algo germânico, coloca, sei lá... Uma Lady Gaga. Pq lady gaga tem a ver com tudo, minha fia. Lady Gaga serve até pra culto oriental/africano/meditação/descarrego/banimento, enfim, só escolher a música certa. Se tocar um arrocha, as entidades n vão curtir mto, n agrega, n é trend, eles n vão voltar.



10) REDESH SOCIASH: Pra que fazer pelos deuses, né monamu? Faça pra causar inveja. Poste no facebook, instagram, twitter: - chegando no sabá -, - acendendo a vela pra deusa -, - dançando feito uma possuída -, tudo com foto e legenda poética like Clarisse Lispector. Quem se importa se você cultua ou n os deuses? Vc precisa mostrar, boneca. Precisa provar, precisa esfregar na cara do povo que sua vestimenta, seus instrumentos, sua vassoura, sua jurupinga e os bonecos de poxtos são de primeira qualidade.

Aceita, qeryda, só assim vc vai provar que vencew na vyda.

Ay, me senti a katylene produsau, 1 sonho realyzado, agr preciso encontrar 3 negau
 Travanás.
 
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