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quinta-feira, setembro 22, 2016

Os segredos que a primavera nos conta: Reflexões, Histórias e Simbolos

Spring Nymphs por Emily Balivet



Antes de mais nada é interessante dizer que esse texto foi dividido em duas partes. A primeira parte fala sobre os significados e simbolismos da primavera e porque trazer ela para o nosso dia-a-dia, e o segundo fala como traze-la para o nosso lar e corpo para desfrutar do seu equilibrio e fertilidade.

A temporada das flores
Deixe a estação entrar

Sempre tive uma dúvida muito profunda sobre o que nos separou dos animais e que nos fez parar de subir em árvore para caçar comida e nos proteger, começando a nos reunir em bando. O que nos fez parar de grunhir e começar a falar, a desenvolver escrita e toda uma atmosfera a parte da natureza. O que nos deu o título de Homo sapiens?

Que olho ou mão armaria tua feroz simetria?*

Claro que para isso não existe uma resposta única, mas é sabido que um dos acontecimentos mais marcantes para essa separação humana do mundo dos animais foi a descoberta do fogo e domínio do fogo, que nos uniu em torno de uma fogueira há 500 mil anos atrás em busca de proteção. Essa fogueira também servia para cozinhar os alimentos, e a partir desse primeiro momento de socialização da espécie humana foi criado um dos rituais mais antigos: O comer.
Art Nouveau:  
Se procurarmos no dicionário uma das definições de ritual é: conjunto das regras socialmente estabelecidas que devem ser observadas em qualquer ato solene; cerimonial.

Parafraseando Laurie Cabot em seu livro “O poder da bruxa“, o homem desde épocas memoráveis celebra as mudanças de estação, não que elas precisem da nossa comemoração para existir, mas para simbolizar que ao mesmo tempo que o mundo muda por fora, nós como parte dele mudamos por dentro.

O homem não entende o mundo por fatos, mas sim por símbolos e rituais que são traduzidos pelo nosso cérebro e forma uma complexa comunicação. Porque gostamos de alimentos quentes? Porque quando damos festas sempre usamos comida? Porque chamamos os amigos pra beber? Porque tomamos banho todos os dias? Porque beijos, abraçamos, transamos? Porque tudo isso é ritual e é símbolo de conexão não apenas com o outro, mas com todo o universo ao redor.

Comemorar a primavera não é dar uma balada em com o nome enorme “ bem vindo primavera “ (TAMBÉM PODE SER, e se você quiser pode dar e me convidar porque adoro). Comemorar a primavera é chamar ela para dentro de você, para dentro de sua casa. É chamar para a sua vida o equilíbrio, a fertilidade, o amor e a beleza destes momentos.





Primavera, Equilibrio, Renascimento, Fertilidade
VIDA


Clyte, Frederic Lord Leighton:
Clyte, Frederich Leighton
A primavera é carregada de símbolos de fertilidade e abundância, e para trazer ela para o nosso dia-a-dia precisamos entender o que ela é e como funciona o arquétipo (se não sabe o que é arquétipo clique aqui) de roda do ano.

Diferente dos cristãos que falam um ponto de partida (morte de cristo) até hoje como dois mil e dezesseis anos, as culturas voltadas a natureza entendem o ano como algo cíclico assim como a vida em si: Todos nós nascemos, crescemos, reproduzimos, envelhecemos e morremos para podermos renascer. Isso é aplicado a absolutamente tudo, ao ano, aos séculos, às eras e até mesmo às próprias divindades.

Para fins didáticos vamos começar a explicar pelo "final". Na roda o Deus-sol em ato de proteção doa sua energia vital no outono (30 de abril) o que causa a sua “morte”, tornando os ares mais frios e as plantas menos frutíferas até a chegada do Solstício de inverno (21 de julho), onde a noite é maior que o dia, simbolizando o momento de parto da deusa e o renascimento do deus-sol. A partir desse momento, a noite chegou ao ápice e aos poucos o dia fica maior, a escuridão sede a luz, a esperança crescer no coração do homem, a vida ganha vagarosamente da morte.

Já o equinócio de primavera (22 de setembro) é a consolidação do deus-sol, a volta dele para o mundo dos vivos como um garoto jovem e a sua união com a grande deusa que resulta na fertilidade da terra. O equinócio é o momento em que a noite e o dia possuem perfeito equilíbrio, tendo quase exatamente a mesma duração.

No norte da Europa existe uma uma deusa germanica que trazia a primavera e o seu nome era Eostre (Que possivelmente originou a palavra Páscoa em inglês - Easter). Essa deusa ao ouvir as suplicas de um pássaro ferido o transformou em lebre que ainda podia botar ovos e como forma de agradecimento decorou os ovos ofertando a deusa, e dai vem os ovos de pascoa (Lembrando que a primavera no norte do mundo começa no dia 21 de março).

The Return of Persephone by Frederic Leighton, 1891. Depicts Hermes bringing Persephone back to her mother:
O retorno de Persefone.
Frederich Leighton, 1891
Já na Grécia a crença da primavera estava voltada ao mito de Kore e sua mãe Demeter. Na lenda, Kore é raptada por Hades, e Demeter sem saber o que aconteceu com sua filha decidiu que a terra deveria passar fome até que ela retornasse. Pelo trato feito, Kore volta do mundo dos mortos no dia 21 de março não mais como a donzela, mas sim como Mulher e Rainha do Inferno, como Persefone.

Pelos mitos podemos ver os símbolos que permeiam a primavera, tendo o primeiro (de Eostre) o símbolo do Coelho como reprodutor e o Ovo como símbolo do renascimento. Já no mito de Kore vemos a primavera como uma transformação tanto de sua mãe que abandona o seu período de luto pela filha sequestrada, quanto na filha que decide não mais ser Kore, não mais ser vitima do destino, renascendo como rainha do mundo de baixo.

Primavera é um momento para equilibrar sua vida e deixar florescer o que você tem dentro de si. Prepare sua casa para a primavera, prepare seu corpo para a primavera, prepare seu espirito para a primavera. 

Não perca nosso próximo texto que sai semana que vem! Grande abraço :)

(*) Poema de William Blake: O Tigre

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 1989.

BULFINCH, Thomas. O livro de ouro da mitologia: histórias de deuses e heróis. Agir Editora, 2014.

CABOT, Laurie. O poder da bruxa. 1991.

CUSACK, Carole. The goddess Eostre: Bede's text and contemporary Pagan tradition (s). The Pomegranate: The International Journal of Pagan Studies, v. 9, n. 1, p. 22, 2007.


FLANDRIN, Jean-Louis; MONTANARI, Massimo; DA GRAÇA PINHÃO, Maria. História da alimentação. 1998.



+ Confira outros posts do Heustam

HEUSTAM (Lucas Oliveira) Nutricionista e pagão, Heustam acredita que a ordem gera o caos, e por consequência o caos gera a ordem. Ama o fogo e como ele, gosta de consumir tudo ate o fim. Gosta de coisas tribais, dança, movimento corporal. 

quarta-feira, junho 03, 2015

Bruxaria, Bruxaria Tradicional e Wicca - Uma breve revisão

UM PANORAMA SOBRE A BRUXARIA


Hoje em dia no mundo pagão existe uma verdadeira guerra de ignorância com muitas pessoas que sabem muito pouco e adoram falar desse pouco que sabem. Esse meu texto veio de conversas com diversas pessoas, de vertentes variadas, e vou tentar mostrar a realidade misturada com meu ponto de vista. 

A bruxaria é um oficio muito antigo, não sendo ligado a nenhum tipo de religião de forma geral. O oficio da bruxaria é herético e não conhece nenhuma autoridade religiosa além do seu clã (se possuir algum).


Procissão da flagelação - Goya
Nas palavras de Yule Travalon “A bruxaria não viveu dias gloriosos, até mesmo sob poder do Império Romano (pagão). Os sacerdotes dos colegiados pagãos detinham poder sobre as nobres artes, mas para além dessas fronteiras, o poder da mulher do campo poderia ser assustador. Augúrios, adivinhações e práticas de feitiçaria foram também perseguidas entre os pagãos, sendo que, até mesmo durante uma das primeiras perseguições aos cristãos, foram estes acusados de bruxaria. A bruxaria vivia no campo, na cozinha, nos segredos que estavam nas sombras e que povoava o imaginário popular como algo pernicioso. No Império Romano (cristão) não foi diferente, pagãos foram convertidos ao cristianismo e a bruxaria permaneceu clandestina - e sobreviveu de forma clandestina."

Quando em ocasião das últimas perseguições aos cristãos, não apenas seu culto ficou proscrito, como os bacanais (que aconteciam nos bosques pela noite em honra a Baco) e os cultos a Hécate (deusa das feiticeiras) foram também jogados na clandestinidade. Isso ocorreu em um Império Romano que era pagão, o mesmo Império que institucionalmente perseguiu os cristãos.”

Vemos isso refletido nos mitos de Hekate, Medeia e Circe: Três bruxas, mulheres incontroláveis, hereges, temidas pelos homens e que desafiavam a ordem masculina. 

Sendo a bruxaria um oficio e não uma religião, é perfeitamente compreensível que aquela mulher que é católica e fala de Jesus pratique também a sua forma de bruxaria. 

Entretanto, existem algumas religiões que em sua prática se misturam de tal forma com a bruxaria que se tornam indivisível, como no caso da Wicca. Portanto, Wicca cristã é algo que não existe por motivos óbvios. É como uma igreja evangélica e umbandista. 

A BRUXARIA TRADICIONAL


A Bruxaria Tradicional (BT), apesar de um nome só não é uma coisa única: concisa e imutável. Dependendo de grupo para grupo, a BT pode ser puramente oficio ou uma mistura inseparável dos dois. Segundo Zagreus, Sacerdote da Bruxaria Tradicional Ibérica “Em essência a Bruxaria tradicional é o oficio bruxo e feiticeiro, legado de um membro a outro, em linha sucessória de treinamento. Assim algumas possuem um forte viés religioso, em detrimento de outros que não possuem uma fé aliada a práxis, e que se mesclam a diversas fés. Na BTI (Bruxaria Tradicional Ibérica) o Oficio Bruxo e o comungar com os Deuses está estritamente entrelaçado, sendo indivisíveis um do outro. É impossível generalizar sobre a Bruxaria tradicional, graças ao fato de cada caminho ser único e ter se desenvolvido em cantos diferentes, sendo essas duas formas extremos de uma “faixa”, onde existiram tradições tendendo mais a um extremo ou a outro.”

Trocando em miúdos, a bruxaria tradicional são tradições hereditárias, passadas de geração para geração, não sendo apenas familiar mas também iniciática. 

Os BTs acreditam que a bruxaria não é um caminho de todos e que deve ser tomado com seriedade e lógica, coisa que muitos grupos não parecem ter de fato. “Não que alguém seja melhor ou pior por isso, mas simplesmente não é um caminho de todos. É estupidez achar que todo mundo vai se dar bem ou se encaixar em algo. Pintura é para todos? Politica? Sociologia? Medicina? Cristianismo? Budismo? pq bruxaria seria?” confidenciou Zagreus. 

A WICCA E SUA POPULARIZAÇÃO


Doreen Valiente tomando um chazinho com a
amigue Patricia Crowther
A Wicca é uma das formas de religião alternativa muito divulgada ultimamente. Lembro que comecei lendo por ela, assim como grande parte dos pagãos de hoje. Não por se encantar com a expressão religiosa feita aqui, mas pela facilidade de material mesmo (apesar de que hoje em dia existem vários livros disponíveis para download inclusive em nossa biblioteca virtual). 

Criada em meados do século passado, a wicca foi uma forma de religião que juntou suas práticas com a bruxaria. Na época que foi criada, as religiões alternativas estavam saindo do escuro (como o satanismo por exemplo), e uma religião pagã e bruxa teve grande mídia e muitas pessoas quiserem se iniciar. É importante salientar aqui que a Wicca Gardneriana e Alexandrina também são inciática: Ou seja, você só se torna gardneriano a partir de outros gardnerianos. 

Com a difusão da Wicca, começaram a surgir grupos que tinham práticas diversas e não ligadas a Wicca Tradicional, alegando serem iniciados pelas avós, mães, tias, primas, etc. Não vou citar nomes porque já tenho tretas demais nessas costas (nem tão) velhas. 

Uma curiosidade interessante é que a maioria dos wiccanos são homossexuais (talvez como uma forma de sair do sistema patriarcal?). Entretanto, isso acaba sendo contraditório quando lembramos que Gardner, o seu fundador, era extremamente homofóbico e não aceitava homossexuais em seus círculos pois não podiam comungar (fazer o papel do sagrado masculino). Gardner, aceita as gay é pra poucas a cara no sol mana. 

Não vou me estender muito no assunto wicca, mas a mensagem principal é: A wicca não é a única forma de bruxaria e muito menos a mais conceituada. A wicca é a forma mais nova de bruxaria e que se baseia em diversas outras tradições de bruxaria que o Gardner participou. 

IGREJAS DE BRUXARIA E ASSOCIAÇÕES BRUXAS


Bom, eu realmente nem sei muito o que fala desse tipo de instituição. As instituições que tratam disso visam legitimar práticas wiccanas e bruxas, para que seja mais seguro e evite casos de estupros, entre outras coisas. 

O problema ai é o seguinte: Vocês lembram do que eu falei do caráter herético da Bruxaria? Tentar validar o clã do outro é ferir o principio da bruxaria, o principio do segredo de cada tradição. Além disso, esse tipo de órgão visa a união de todos os bruxos, o que seria um caos porque todos eles se odeiam e querem se matar na gilete.

É importante ressaltar que a Wicca “mão-direitizou” a bruxaria, que é totalmente centro-esquerda. Portanto, todo tipo de união de tradições e fiscalização não representa as outras formas de bruxaria além da Wicca. 

A BRUXARIA AFRO: HOODOO E MATRIZ AFRICANA


Quanto os negros africanos vieram para o Brasil forçadamente na condição de escravos, não tinham uma religião em comum. As vezes temos uma visão errônea e muitas vezes preconceituosa de globalizar religiões e povos africanos, mas os negros vieram de regiões muito diferentes, e trouxeram sua cultura e religião consigo. Por serem muito próximas, acabavam tendo elementos parecidos (Assim como as divindades da Europa e Asia Menor), mas não eram a mesma.

Essa estratégia de levar várias pessoas de regiões diferentes para um mesmo local foi usada para desestabilizar quem pudesse restar de resistência. Mas especialmente na América latina e no Haiti aconteceram um fenômeno único: Ao invés de um caminho se sobrepor ao outro, os vários se juntaram inclusive com as crenças regentes no local. 

No caso do Brasil foi criado o candomblé (e diversos outros caminhos atualmente) e no Haiti principalmente o Vodu. 

Esses caminhos tiveram uma forte influência da magia pagã de suas terras natais, assim como influência da religião cristã que vigorava na época. Entendo o trabalho com ervas e com os elementos da natureza, as mães de santo continuavam seus trabalhos passando o conhecimento oral através de histórias, filosofia e principalmente a culinária que até hoje é tão reconhecida. 

Assim como as curandeiras e mães de santo, no Haiti existiem os sacerdotes que desenvolviam seus trabalhos. Com o passar do tempo, o Vodu acabou se misturando com a Bruxaria Europeia e o misticismo indígena, se transformando numa vertente magicka conhecida como Hoodoo, sendo este dividido em Conjure (Feitiçaria) e Rotwoork (trabalho herbal). Mas poderiam essas práticas serem chamadas de bruxaria?

Bom, para entender essa questão devemos lembrar que bruxaria foi um termo criado para designar pessoas que não atendiam a ordem religiosa regente, sendo perseguida principalmente na idade média. Essa era uma forma de opressão e apagamento: Se você pega todas as religiões e chama tudo de bruxaria, quer dizer que tudo é um só, tudo é igual, tudo é do diabo.

A partir de meados do século passado, a palavra Bruxaria (com muito sacrifício) foi ressignificada e passou a se tornar algo bom, voltando a reintegrar a cultura popular por meio de livros (As ficções mesmo) e por meio de religiosidades que surgiram na mídia como já falado. 

Portanto, “Bruxaria” é um termo europeu e branco, não aplicável a religiões indígenas e afro. Mesmo tendo qualidades muito próximas da bruxaria (e as vezes idênticas), essas vertentes tem seus próprios nomes e não tem porque utilizar um outro. 

Concluindo...


A Bruxaria como já sabemos, é um oficio e não está ligada a nenhuma pratica religiosa em si e repugnada por diversas culturas pela história, incluindo a romana que acusava os cristãos de praticarem a tal bruxaria. Entretanto, algumas religiões possuem sua ritualística indissociável da bruxaria, como algumas formas de BT que cultivam em sua cultura o oficio da bruxaria. 

No Brasil, temos uma mania terrível de pender a bruxaria e estar a todo tempo querendo mostrar o seu lado bom e a Bruxaria nunca foi vista com bons olhos porque nunca quis. Ela é um caminho das sombras, um caminho marginal e que não deve nada a nenhum outro. Não temos formas de legitimar a tradição de bruxaria do outro. Cabe a cada um o senso do que deve ou não deve ser feito, e tentar impedir isso (por mais bondosa que seja a causa) é uma ofensa a essência da bruxaria, que é a liberdade. 

A única coisa que tenho a dizer aos iniciantes é: Observam bem onde estão se metendo. A duvida é primordial para o crescimento, e duvidar nos da a proteção que precisamos para atingir o nosso objetivo sem sermos barrados por charlatões que pregam uma bruxaria bondosa e saladas místicas que não existem. Sempre que for tentar alguma tradição, procure seus prós e contras. Um pé atrás (Ou na frente, neste caso) nunca fez mal a ninguém.


Livros que indico:
De Camelot ao olimpo. Livro que fala sobre religião comparada da Europa e Asia Menor.

Posts indicados:
Um caminho diferente da wicca
Sobre o moralismo que não nos deixa
Certo? Errado? Aceitável! 







HEUSTAM (Lucas Oliveira) cursa nutrição na União Metropolitana de Educação e Cultura (UNIME). Se diz pagão. Acredita que a ordem gera o caos, e por consequência o caos gera a ordem. Ama o fogo, e como ele, gosta de consumir tudo ate o fim. Adora selvagerias e qualquer coisa que seja tribal. Raríssimas vezes discute seu ponto de vista, por que se cansou de perder tempo discutindo.

sexta-feira, abril 04, 2014

Os tipos sensitivos: Médium, por trás do véu

Se você não leu os outros dois textos (Os tipos sensitivos: Xamã e Empata), leia clicando Aqui.

Segundo a biologia, somos seres originados da natureza, e por isso desenvolvemos sentidos para nos defender dela e aprendendo a sobreviver mesmo em meio as adversidades.
Richard Dawkins, um autor conhecido por seus livros de cunho ateísta usou em um artigo pela primeira vez a ideia de "mente descontinua" como algo inerente a biologia humana. Mas o que é essa mente descontinua? É a nossa NECESSIDADE de delimitar regras medianas. Delimitamos linhas de idade para dizer que a partir dos 18 ano um jovem se torna adulto,como se alguém adquirisse uma consciência magica de adulto quando passa dos 17 anos, 11 meses, 29 dias, 23 horas e 59 minutos. Fazemos isso para nos sentir confiantes e seguros, para levar para o nosso mundo palpável, biológico, humano, tocável,  o que não conseguimos "entender". Outro exemplo de aplicabilidade de mente descontinua é não conseguirmos sentir milissegundos ou pensar em bilhões de anos. Não conseguirmos ouvir sons supersônicos, ou cores que ultrapassam nossa capacidade. Pelo simples fato de nosso cérebro esta programado para ver coisas médias, em tons médios, com tamanhos médios, no nosso mundo médio.


Nossa mente e sua organização robotizada


Lá no começo de nossa sociedade, quando começamos a adorar deuses e se reunir com propósitos religiosos, o homem já acreditava em espíritos e na comunicação com eles, a exemplo do hinduísmo e xintoísmo. Entretanto, só os mais treinados na arte espiritual podiam se conectar com eles, tendo exemplo os brahmanis hindus.
Mas Heustam, o que isso tem a ver com mediunidade? 
Bom, trouxe vocês até aqui porque eu acho muito interessante como sempre soubemos que o que vemos, ouvimos e sentimos não corresponde totalmente a verdade dos fatos. 

O que é a mediunidade


Mediunidade é a capacidade de ter percepções extrassensoriais (as vezes se apresentando como uma percepção sensorial) que a maioria das pessoas não conseguem ter. A intensidade e quantidade depende unicamente da sensibilidade espiritual da pessoa.
O interessante do médium é que ele pode manifestar todas as características sensitivas, de comoção espiritual (empáticos) até incorporações (condutores), o que pode por diversas vezes atrapalhar em suas vidas. 
Dentre as religiões que trabalham com mediunidade, o espiritismo hoje em dia esta bem avançada, juntamente com sua junção a religiosidades de matriz afro denominada umbanda. Mesmo que na bruxaria usemos muito a sensitividade ou mediunidade, os espiritas tem gosto empírico pela coisa.

Mediunidade e seus problemas

Bom, é bem raro encontrarmos graus altos de sensibilidade espiritual mediúnica até pela auto-supressão existente por parte da pessoa que esta desenvolvendo. 
Quando criança somos mais abertos ao espiritual e isso é um fato, mas com o passar do tempo, aquele amigo imaginário vai desaparecendo. Quando não desaparece, os pais tendem a procurar ajuda médica. ATENÇÃO: Não estou dizendo que procurar ajuda médica é errado. Existem casos e casos, e não devemos jogar com dados quando se trata de filhos nossos. 
Mas as vezes a mediunidade tende a arrebentar a nossa porta psicológica auto-bloqueada, o que pode nos causar problemas irreparáveis. Algumas pessoas ficam loucas tentando entender o que se passa com elas. Conheço pessoas com altíssima sensibilidade espiritual que são diagnosticadas com esquizofrenia.
Alem disso, parece que quando você tem um grau alto de mediunidade, os espíritos querem viver de novo através de ti. Parece que você atrai tudo de ruim, ainda mais quando se é médium e condutor (o tipo sensitivo que incorpora).
Algo comum é a dor nas costas muito relata por médiuns e que possuem muitas explicações, mas sem nenhuma conclusiva.
Existe também a possibilidade de dar aloca no meio da rua,o que é bem estranho e de certa forma constrangedor
- Não gente, desculpa, é que meu caboclo deu aqui.
E como minimizar esses danos? A neutralização de danos vem do treinamento não apenas mediúnico, mas do autoconhecimento. Existem técnicas paliativas também, como aterramento energético, e a utilização do Anel Atlante.

O que é o Anel Atlante?


Um Anel Atlante
Até pouco tempo atrás eu não tinha ouvido falar exatamente nada sobre o Anel Atlante, até que a Patricia Guillermo (dona da loja virtual exotérica Yuki Spa) me falar que usava um.
O Anel possui uma história bem controversa, onde não se sabe exatamente a sua origem, mas teria vindo dos atlantes que deixaram sua sabedoria marcada a 8 mil anos no antigo Egito. Suas propriedades são: Revitalização da mente, e do corpo com ajuda no desenvolvimento da sensibilidade espiritual de forma sutil. O Anel não deve ser tocado por ninguém e deve dormir em água com sal uma vez no mês afim de fazer uma limpeza espiritual (talvez um encantamento cairia bem nessa água).



Mediunidade e necromancia

Uma coisa interessante para um médium é o trabalho com a necromancia. Necromancia vem do grego e todos estamos cansados de saber que é o trabalho com os mortos (assim como diz a wikipedia mesmo). Porém, nosso imaginário quanto ao assunto não nos deixa ver a real pratica necromântica: A invocação e comunicação com o mundo dos mortos. Na idade média, a pratica de necromancia era abominada e passível de morte (como qualquer coisa na idade média né...). 
O que define um necromante não é a comunicação dos mortos em si, mas a invocação deste para os seus diversos fins. Portanto, todo necromante tem certo grau de sensibilidade mediúnica, porque todo médium é um necromante em potencial. 
Mas qual a finalidade de invocar um espirito? Chamar um espirito pode ser de bastante ajuda em praticas magicas. Você pode chamar um espirito para espionar alguém,ou proteger alguém, ou assombrar/amaldiçoar também caso seja necessário.
E porque um espirito te ajudaria? Segundo a necromancia, um espirito pode te ajudar por dois motivos: Escravização ou pedidos não tao ofensivos.
Os melhores lugares para rituais necromânticos são onde tem energias mortis. Não podemos esquecer de trancafiar tudo usado no rituais em lugares seguros e protegidos por magia 
(sigilações e escudos), para não atingir você ou o local.  
Talvez eu escreva depois sobre necromancia aplicada na bruxaria, ou não.


Ritual necromante. de Spectrumghotic.br

Mediunidade e o aparecimento das crianças índigo


Como vocês estão percebendo, a mediunidade tem uma gama muito boa de trabalho, podendo ser aplicada a diversas culturas e sistemas mágicos de forma efetiva. Segundo a parapsicologia e espiritismo, as crianças índigo sempre existiram e sempre existirão. Entretanto, há um aumento na quantidade deles. Crianças índigo por definição são aquelas crianças com capacidades sensitivas, sociais e biológicas que vão além do considerado normal. Essas crianças tem grande papel social. Geralmente tem problemas quanto as normas impostas e são meio aquarianos no geral.
Acho interessante como o mito das crianças índigo cruza com o mito judaico dos 36 homens justos.

"Os Tzadikim Nistarim ou Lamed Vav Tzadikim (ל"ו צדיקים) — são os 36 Justos — ou Pessoas Santificadas, uma noção enraizada no aspecto mais místico do judaísmo. Na gemaria*, ciência esotérica hebraica, Lamed é a letra que representa o número 30 e Vav, representa o número 6. Além disso, 36, significa "vida dupla", sendo duplo de 18, que representa "vida". Tzadikim é o plural de "Justo" [justos, portanto]. Deste modo, as "Pessoas Santificadas" são chamadas de "Os trinta e Seis". Também são denominados Tzadikim Nistarim: "Justos Ocultos", ou "Santos Ocultos"." (CABUS, ligia. Sofa da mitologia, dezembro de 2008).

Segundo o mito, os homens justos são escolhidos para encarnar e possuem a capacidade de mudar a rota da humanidade. Tudo isso afim de explicar a deus qual a razão da humanidade ainda existir na terra, tendo uma certa vida dupla - Entre o mundo espiritual e o mundo humano.


Mas e então, o que eu devo fazer sendo um médium? 


Não existe um protocolo. A primeira coisa a se fazer é se certificar que você só não é louca e não tomou seus remedinhos. E ai que esta a dificuldade. O pessoal do candomblé tem uma crença interessante de que todas as pessoas conturbadas mentalmente possuem níveis de mediunidade, o que faz certo sentido até. Porém, não devemos ignorar o acompanhamento médico. A melhor arma de um médium é a intuição, mas o melhor escudo é a descrença.
Terapias alternativas (cromoterapia, acupunturara, medicina aiurvédica) podem ajudar muito no desenvolvimento e regulação da capacidade mediúnica ainda mais quando se diz respeito as questões energéticas.







HEUSTAM (Lucas Oliveira) cursa nutrição na União Metropolitana de Educação e Cultura (UNIME). Se diz pagão. Acredita que a ordem gera o caos, e por consequência o caos gera a ordem. Ama o fogo, e como ele, gosta de consumir tudo ate o fim. Adora selvagerias e qualquer coisa que seja tribal. Raríssimas vezes discute seu ponto de vista, por que se cansou de perder tempo discutindo.

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Entrevista com Diego King - 1º Round. MSinc e Aleister Crowley




Para comemorar nossos 25.000 seguidores, nós da Bruxaria Hipster decidimos agora entrevistar personalidades do meio mágicko-pagão para o nosso prestigiado publico. Dentre tantas possibilidades de altíssimo nível, selecionamos alguém nada ligado á nós – se possível, até oposto- buscando dessa forma entender outras visões e formas de se trabalhar com a Magia, essa pessoa foi Aleister Crowley.

A Bruxaria Hipster sabe que ser um bruxo é lidar com as mais diversas formas de magia e estudar os diversos
Diego King
sistemas mágicos, utilizando todo o redor para o seu crescimento, e nada mais justo que procurar o Avô da Bruxaria Moderna, dentro de seus obscuros divulgadores que vagam entre os mundos enochianos, físicos e infernais. Tal por suas palestras e também por ser um dos mais sacanas praticantes remanescentes e também por um fato notável, ele é um dos Diretores do maior site brasileiro de Ocultismo – a Morte Súbita Inc.

Solicitamos ao Diego King, uma entrevista sobre magia e suas práticas pessoais.

E dentro disso, conseguimos captar necromanticamente o espirito crowleyano que habita na nossa era, além de, podermos conversar sobre goécia, magia sexual, vampirismo, Cthulhu Mythos e magia do Caos. Com tanto assunto para conversar com o King, dividimos a entrevista em 3 partes – buscando dessa forma focalizar cada uma em um arcano especifico da magia.

E como queríamos, começamos por Aleister Crowley.
Afinal, Mr. Crowley, what went down in your head ?





SOBRE A MORTE SÚBITA INC.


H. King, primeiro vamos falar da MSinc. Como ela surgiu ? Quem foi que a criou ?
K. A MSinc nasceu em 1996 com o Obito. Em 98, o Morbitvs nasceu e continuamente eles praticaram essa troca de roupagem entre si. As coisas progrediram, o MV foi morar na Califórnia dois anos, e quando voltou para o Brasil, o Obito o chamou para abrir uma ordem.
Isso em 2003.

E nessa época eu os contatei para entrar nessa ordem que, depois de falsificar assinatura da minha mãe (eu tinha 13 anos na época), consegui. Daí então comecei a praticar as vertentes bizarras do ocultismo com eles e mais 50 pessoas na época. Até que surgiu a ideia de ressuscitar o MSinc. E eu fui chamado para trabalhar com eles. E assim nós três estamos juntos, há onze anos já.


H. Mas apenas em 2003 que foi aberta para o mundo como site, não é?

K. Não, o site começou em 96. Foi embora em 2001. A ordem por trás da MS veio em 2003. O site voltou em 2007.

H. Nossa, realmente muito precoce, Hein? 96 mal tinha computador.
K. hehehehe a internet de 96 era totalmente diferente da atual. O site era recheado de fetos, pentagramas e imagens bizarras.

H. Entao a MS original poderia ser classificada como mão esquerda?
K. A MSinc é a mão esquerda do Brasil. A Goecia, Biblia Satanica, a Biblia Vampirica, material de Caos Magick, Cthulhu, Subgenious, tudo isso se deve, porque começamos em 96-98 a divulgar isso pelo Brasil.

O Morbitvs foi o pioneiro em traduções e trouxe os materiais acima citados para o português, isso tudo entre 98-99.

A MS foi pioneira em várias vertentes do ocultismo, em questão de pratica-divulgação e tradução, e fornecendo assim, uma gama de material, até então, difíceis de achar (na época).

H. Então você diria que a Morte Súbita é criado sem um senso de moral? Sem senso de bom e mal?
K. A MSinc é um site baseado na ficção. Ele veio de uma mente alienígena que, vive em um mundo onde políticos são fanáticos por dinheiro e evangélicos são corruptos de dinheiro. Não tem nada a ver com esse nosso mundo.


H. Então Diego, você no morte súbita tem um jeito peculiar de postagem. Esse é o Diego mesmo ou o personagem do Morte Súbita?
K. A MSinc tem personagens. Não existe pessoas ali, nenhum de nós realmente mostra o que é ou o que pensa. Criamos vários personagens - Lon Plo, Inkubus, Anarco Thelemita, Exu Anarquista, Morbitvs, Óbito, Shub Nigger e por aí vai.

São apenas personagens que pessoas usam para escrever sobre qualquer assunto. Se eu ou alguém de lá quer escrever sobre Thelema, logo essa pessoa usa o nome de 'Anarco Thelemita'. Se alguém quer escrever sobre vampirismo, logo ela usa o nome de "Inkubus". Se alguem quer escrever sobre mindfuckmática, logo ela usa o nome de Lon Plo. Ou Satanismo, Morbitvs ou Obito.

Não existe ninguém real. O Diego mesmo é bem diferente do que ele escreve, assim como o Octavio, Thiago, Paulo ou qualquer outro.





SOBRE CROWLEY, THELEMA E MAGIA SEXUAL

Aleister Crowley 

H. Mas e sobre você, qual a linha mágica que mais te atrai? A sua visão de mundo e de cosmo?
K. Rapaz atualmente na magia, meu negócio é sex magik e goécia. Eu trabalho com goecia desde o início da minha adolescência, logo meu amor por ela é bem maior. Porém, já trabalhei com enochiano bastante, vampirismo e o Cthulhu. Cthulhu é algo que sinto falta, até.

Naturalmente, por ter lido tanto sobre, eu me adaptei com a filosofia da Thelema, instituída por Aleister Crowley em 1904 e em seguida em seus escritos vindouros. Em essência, a Thelema busca mostrar que todo homem tem um potencial infinito em si, e desperta-lo é dever de cada um. Do mesmo modo, que ela é impiedosa contra aqueles que não a despertam, ou seja, se limitam a qualquer tipo de informação ou preguiçosamente, não procuram crescer como pessoas.

A Thelema por si só, é elitista. Embora ela esteja aberta ao público - já que a “mágicka é para todos” parafraseando Crowley – ela paradoxalmente cria uma discriminação mental entre seus adeptos e o mundo exterior. Eles, por si só, acabam procurando se alinhar e não obstante refletir para o mundo, o seu Sol Interior. (Self, SAG, Logos, Dragão).

H. E quem foi Aleister Crowley ?
K. Essa é uma pergunta que pode acabar com ilusões.

AC foi um homem comum, como todos nós. Repleto de anseios, aspirações, amores, ilusões... Como qualquer um de nós. E diferente da maior parte de nós, foi um homem extremamente corajoso. Ele publicava descaradamente, segredos internos de várias ordens iniciaticas, assumiu sua bissexualidade em uma época aonde isso era visto como total perversão – era assumidamente mágico, e não obstante louco.

Mentia descaradamente, encobria suas faltas, foi bem hipócrita em muitas coisas – como dá para ver claramente em seus escritos – porém, também assumidamente buscava o desenvolvimento da magia e do ser humano em si. Dedicou sua vida – seja por vagabundagem ou por misticismo – á pratica de magia e fez descobertas fantásticas. Criou uma filosofia baseada em um livro que recebeu de uma entidade, denominada Aiwass e travou contato/registrou contato com diversas outras, formando assim um legado incomparável de ocultismo e magia.
Porém, ele ainda sim, foi viciado em drogas pesadas, sexo hardcore e um ególatra compulsivo.

H. Muito se especula sobre a lei Thelemita: " Amor é a lei, amor sob a vontade " Qual a sua interpretação sobre ela? Não é contraditório para uma filosofia mão-esquerda?
K. Primeiro lugar e tão polêmico que pode ser - Thelema não é mão Esquerda. A Base da Thelema é a união dos opostos - acima/abaixo, Set/Hórus, Luz/Trevas, EHEIEH/ShTN tudo isso, na essência representa que o Homem está além das cadeias morais e interpretações metafísicas de qualquer coisa. E que todas essas forças, energias - estão dentro do homem. "Love is The Law, Love Under Will" é uma metafora para a formula básica de Magia Sexual. A maior parte das pessoas interpreta apenas como "Ter a razão acima da emoção acima de tudo". Está errado. Dentro dos limites que posso falar, essa frase significa algo como "um orgasmo direcionado pela vontade, é a magia".

H. Nos fale mais sobre o Livro da Lei, o que vem a ser ele? Qual o proposito dele ?
K. O Liber Al vel Legis, em primeiro lugar não é um livro literal. Ele é uma metafora escondida em outra metafora. Seus paragrafos foram minuciosamente escritos escondendo dentro de si, segredos de gematria e uma nova Cabala. Junte isso ao fato de ser um Livro de Invocações & de Encantamentos. Ali existe magia para tudo - de banir á apaixonar loucamente, passando por maldições. Logicamente, como tudo que Crowley escreveu, está vedado e nem sempre aquilo que parece uma benção, realmente é.

H. Na sua opinião, Magia Sexual é uma pratica comum no meio ocultista ?
K. Desde que Crowley abriu para o mundo, sim. Se tornou. Mas poucas pessoas vão fundo. Geralmente se mantem caladas sobre. O uso da energia sexual vai muito além de carregar sigilos ou se concentrar-se no orgasmo para criar elementais artificiais. O que temos na web hoje em dia, é o topo de um iceberg imenso.
Babalon, maior simbolo da magia sexual
Do mesmo modo que tem muitas pessoas que condenam a pratica por causa de seus eventuais perigos. Outras correntes, como o Gnosticismo de Samael Aun Weor, são totalmente contra.

H. Sobre Sex Magic, é verdade que você precisa manter um tempo sem se masturbar ou manter relações sexuais antes do ato de magia? De quanto tempo?
K. Depende do praticante. Aleister Crowley usava de vampirismo e dentro do De Ars Magica, ele insinua a pratica como uma formula eficaz para manter-se energizado para quem pratica constantemente. No caso, algumas pessoas são mais ligadas á pratica, vão em busca de energização para recorrer-manter suas práticas frequentes. Quem não trabalha com magia de forma constante, é apenas um feitiço causal, por assim dizer, não precisa se preocupar tanto. Porem em ambos casos, vale ressaltar que, precisa-se de combustível para o carro andar. Algumas pessoas, pensam em apenas andar pelos bairros de sua cidade, outras querem cidades próximas, outras se atrevem a sair do estado. Cada meta necessita de combustível adequado para cumpri-la.


H. Mas que combustíveis seriam esses? Você poderia usar de exemplos?
K. Foi uma metáfora para energia.


O material chamado "Entusiasmo Energizado" de Crowley, assim como práticas de pranayama e outras vertentes da Yoga. Seja com banhos de ervas para vitalidade que os pagãos podem fazer, ou mantendo um estilo de vida totalmente fitness, são validos para tal fim.



H. Como começou seu envolvimento com a Magia de AC ?
K. Foi entre 2003-2004, junto com práticas de goécia. Eu mal tinha perdido a virgindade na época e já chamava a galera de lá. O Morbitvs e o Obito foram os meus grandes instrutores. Nós conversávamos diariamente, e eu ia ganhando exercícios e metas para cumprir.


É engraçado que, mesmo os dois sendo muito próximos, e praticantes da mesma linha, eles pensam totalmente diferentes um do outro quando o assunto era magia. E eu ia me adaptando a eles, para por fim, compor meu próprio pensamento, baseado em minha experiência.

Eu sempre fui muito ansioso, não sabia esperar. Por tal, praticava duas a três linhas de magia diferentes, quando não as mesclava do meu jeito. Minha filosofia se baseava em “Se der certo, é porque é certo”. Não gostava – mesmo deles – de quaisquer alertas sobre o perigo em lidar com vertentes de vampirismo ao mesmo tempo com goetia. Ou praticar goetia com as chaves enochianas. Eu não queria escutar que aquilo era perigoso. Eu estava fazendo justamente por ser perigoso.

H. Em falar em perigo, quais são os maiores perigos da magia sexual ?
K. Obviamente, são as DST’s. Veja que entidades, elementais artificiais ou magias reversas, sempre podemos lidar realizando banimentos. Banimento é essencial em uma pratica magica, dominar um, é quase vital para tal. Magia sexual se baseia em você canalizar a energia sexual seja com ou sem orgasmo para uma meta especifica ou para um espirito/deus/demônio/anjo. Veja que independente de qualquer perigo astral, os físicos são maiores. O astral você bane, defuma, toma banho, acende vela... Se vira em prol a banir aquilo que te atormenta. Algumas doenças físicas, não dá para fazer o mesmo.

H. A magia sexual é mesmo a magia mais poderosa que existe ?
K. Sim. De todas as fontes disponíveis pela natureza, pode ser uma piada cósmica, mas a mais forte que existe está em você. O ser humano tende a buscar em cristais, ervas, velas, espíritos, formas de conseguir atingir uma meta pessoal. Isso é válido, é real. Porém, o poder que existe dentro dele é muito maior que qualquer uma dessas fontes. O nosso orgasmo é uma fonte de energia que se bem direcionado pode nos propor grandes experiências e resultados. Por ser tão comum, acabamos não dando valor, e vendo somente poder em coisas externas. O que é o caminho incompleto – ambos, dentro e fora devem se equilibrar.


H. Pondo fim na primeira parte da entrevista, gostaríamos de que recomenda-se material sobre magia sexual e por fim, caso tenha, passa-se uma mensagem aos leitores.
K. Sobre o material, a MSinc é repleta deles. Dentre eles o Grimorio de Magia Sexual é fantástico. Em material externo, eu realmente recomendo Kenneth Grant. É um material avançado, exige base thelêmica, porém, realmente vale a pena.


Sobre livros, segue uma pequena lista;

.Aleister Crowley – Magical Record of the Beast – John Simonds
.Magick Without Tears – Aleister Crowley
.Magick Book 4 – Aleister Crowley
.Modern Sex Magic – Donald Michael Krag
.Demons of the Flesh – Zeena LaVey
.Magical World of Aleister Crowley – Francis King
.Secrets of Western Sex Magic – Frater U.D.
.Magical Diaries of Aleister Crowley – Stephen Skinner
.Zos Kia Cultus – Austin Osman Spare
E se é que, sou uma pessoa adequada para passar alguma mensagem, ela é – Faça. Pouco importa o tamanho do perigo. Coragem é a verdadeira armadura, como diz o Liber Al. A magia é muito mais que internet e especulações metafisicas de como funciona. Magia é tangível. O existem mil fontes, cada uma mostrando uma visão diferente. Teste todas. Não se prenda a nenhum fracasso e absolutamente, não se prenda a nenhum sucesso, também. Pratique.


Se você gostou da chamada visual da entrevista (a imagem que encabeça a postagem), você pode baixá-la (e muitas outras) e usar como papel de parede se quiser. Basta clicar aqui, conferir nossa biblioteca e baixar!







HEUSTAM (Lucas Oliveira) cursa nutrição na União Metropolitana de Educação e Cultura (UNIME). Se diz pagão. Acredita que a ordem gera o caos, e por consequência o caos gera a ordem. Ama o fogo, e como ele, gosta de consumir tudo ate o fim. Adora selvagerias e qualquer coisa que seja tribal. Raríssimas vezes discute seu ponto de vista, por que se cansou de perder tempo discutindo.
 
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