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quinta-feira, janeiro 23, 2014

Invocação e Evocação




Apesar de termos corriqueiros na pratica de um magista, e de fato não seja tão difícil diferenciá-los, o fato é que a confusão entre 'invocação' e 'evocação' é comum.
Claro, na hora de escrever, é comum a gente acabar se confundindo e trocando um termo pelo outro. Mas erros gramaticais à parte, é de suma importância que tenhamos em nossas cabeças as diferenças claras entre os dois.

Uma vez, vi uma tabela onde se eram numeradas as diferenças entre um mago e um bruxo. Dentre os pontos estava que, geralmente, um bruxo trabalha com a natureza e o mago trabalha para controlar a natureza¹.
(1 - Na frase, considere um significado mais amplo para a palavra "natureza").
Na bruxaria moderna e contemporânea, a prática do traçar o Círculo tornou-se constante. Além de proteção, é também o momento onde o bruxa delimita um espaço que é limite entre o domínio dos homens e o reino dos deuses, consagra um espaço para seus trabalhos e mágicos e que seja limpa das interferências mundanas para receber as divindades invocadas.
Lembre-se que, na bruxaria, a linha que separa o sagrado e o profano é sempre tênue.



Agora em um ritual de magia cerimonial, na Goétia clássica por exemplo, o Círculo, munido de inúmeros símbolos e nomes divinos, tem como principal objetivo proteger o magista da entidade evocada e de interferências externas. Aqui o daemon não é chamado para o espaço consagrado, mas sim para ficar preso no triângulo de manifestação.
Além disso, o Círculo ganha o caráter de microcosmo, um pequeno espaço criado pelo magista e que vem reafirmar seu potencial divino. O mago torna-se deus do próprio círculo, reafirmando sua capacidade de evocar e dominar a criatura evocada.
De forma semelhante o bruxo evoca os quatro elementos como torres de vigia, protegendo o Círculo.

A Verdadeira Invocação


Konstantinos, no livro Bruxaria Noturna (disponível para download na biblioteca virtual da página), faz uso do termo Verdadeira Invocação, onde o bruxo assume mentalmente e energeticamente a forma da divindade.
Não vou reescrever o trecho aqui porque isso é um saco. Em vez disso vou dar um resumo.

O primeiro passo é, acredite se quiser, estudar! Sim, você nunca para de estudar na bruxaria, aceite isso. Mesmo que vá invocar uma divindade ao qual você já considera intima, não importa, estude-a mais. Leia
O Circulo - The DruidCard Tarot
tudo que pode, compile suas próprias notas e atributos. Após juntar os dados específicos sobre o deus em particular, você deverá escrever uma invocação para ele. É mais fácil do que se pensa, ao estudar o deus você deve ter se deparado com inúmeros hinos que lhe servirão de inspiração.
Certifique-se que sua invocação tenha uma boa quantidade de particularidades sobre a divindade em questão relacionadas com o intento do ritual – por exemplo, as divindades gregas possuem epítetos, onde uma qualidade especifica do deus pode ser chamado. Em um caso especifico, Hekate como Portadora da Luz (Phosphoros) seja mais relevante a ser invocada que a Hekate Brimô (a terrível).
De qualquer forma, quanto mais você ler, mais anotações terá à disposição.
Não vejo razão para se torturar linha por linha escrevendo uma invocação mega poética. Se você tem facilidade e talento para isso, tudo bem, mas muitas vezes, palavras claras e intentos objetivos são melhores para se trabalhar.
Estabelecendo padrões, na invocação você deve, 1. Identificar a deidade; 2. Afirmar a razão pela qual você precisa daquela deidade; 3. Convidá-la à aparecer.
No meu exemplo, vou usar Hefesto. Considerando que estou escrevendo a invocação, subentende-se que eu já estudei tudo que eu podia sobre o mesmo.

Famoso artesão coberto de fuligem,De belas obras e criatividade divinalInvoco-te Hefesto, para que eu possa comungar com teu talento.Artista absoluto que nunca se rende à humilhação e rejeição,Esteja comigo agora, conceda-me sua postura férrea.Conceda-me a honra de tua presença.

Agora observe que os três pontos estão na invocação acima – estão misturados e repetidos, mas todos estão lá. Este foi um exemplo simples. Na sua invocação é provável que você tenha um objetivo mais claro. Em todo caso, exaltei certas características de Hefesto. A beleza de suas artes, seu talento, e principalmente sua postura a qual não se rende à rejeição e humilhação.

Hefesto foi renegado por sua mãe Hera por sua feiura, mas a beleza em suas obras era tamanha que a deusa reconsiderou. E por duas vezes ele respondeu as humilhações sofridas usando seu oficio. Uma vez prendendo Hera em seu trono, outra prendendo Ares e Afrodite no leito e expondo o adultério para todo o olimpo.

As palavras escolhidas vão ajudá-lo a encontrar a centelha divina dentro de si mesmo.
Geralmente, uso das palavras é usado nos rituais no que Konstantinos chamou de 'invocação comum' é o suficiente. Mas é justamente nisso que se difere esta Invocação Verdadeira, onde você faz uso de visualização, gestos e "atuação" para conseguir mais poder em um determinado ritual.
Você obtém de um ritual o proporcional de seu esforço para realiza-lo – falo aqui de esforço pessoal! Não estou dizendo que todo ritual que você for usar, para ser eficaz, precisa ser mega complexo, com invocações em egípcio antigo e coisas do gênero. Pequenos rituais, pequenos gestos, também possuem grande poder. Mas a magia não acontece por gestos teatrais. É preciso poder, é preciso crer nas palavras que são ditas, é preciso foco, doar para receber.
O conhecimento que você acumula ao escrever a invocação pode ser aplicado à criação de poder por meio da visualização. Muito da magia se resume em visualização. Ao estudar os mitos da divindade, você sente melhor sua personalidade e pode construir melhor uma imagem pessoal de como seria a possível aparência do deus. Permita que essa imagem fermente na sua consciência, pois você irá usá-la.
Símbolos externos também serão necessários. Procure reunir elementos que ativem todos os seus sentidos. Alguma pedra associada para que você a segura enquanto faz a invocação, incensos com aromas de plantas associadas, essas mesmas plantas para serem queimadas no altar, a bebida que geralmente é ofertada... Preparar o ambiente com tais elementos, mais do que para agradar Hefesto – neste caso – a aparecer, é para que você mesmo, sua mente, irá, de forma mais fácil, relacionar-se mais facilmente com aquela corrente energética especifica.
Símbolos e correspondências pessoais são encorajados. Mas sensatez, por favor! Nada de Coca-Cola Zero para Hekate ou algo do gênero.
Espaço pronto, voltemos para a imagem mental que você construiu. Antes de começar a ler a invocação, é preciso ter bem firme a imagem da divindade. Cor do cabelo, voz, postura, os olhos...
Minha imagem de Hefesto é de um homem de meia idade, muito alto e forte, coberto de fuligem, com barba espessa e cabelos negros. Olhos duros, sempre brilhando ao refletir o fogo de sua forja. Com um andar falho – manco, mas ainda assim imponente à sua maneira. Feições sempre severas que não expõe duvidas ou fraquezas, e oculta a bela alma de um artista capaz de produzir incrível beleza.
Com a visualização firme, tenha convicção de que aquela é a imagem do deus. Tenha consciência que no ritual você usará sua visualização como uma vestimenta e vai travestir-se com a mesma – você usará a imagem do deus ou deusa como uma segunda pele.

Assumindo uma forma divina


É bom esclarecer que essa Invocação Verdadeira não é uma possessão ou uma incorporação. Estes são conceitos diferentes, que explicarei em textos futuros....ou não, vai depender da minha preguiça de escrever.
No centro do Círculo traçado, em frente do altar, separe um tempo para uma breve meditação. Afaste os pensamentos do mundo cotidiano, lembre-se de qual é o seu objetivo para execução deste ritual – concentra-se no objetivo ajudará você a focar nas energias especificas para o ato mágico.
Use uma palavra simplificada do intento, neste caso, "talento" ou "resistência". Repita as palavras silenciosamente ou como sussurros e feche os olhos. Continue o mantra silencioso, incline a cabeça para cima e levante os braços, com as palmas voltadas para o céu.
 Ainda de olhos fechados, visualize um redemoinha prateado acima de você, brilhando no escuro. Veja-o como uma luz cósmica, parecido com uma galáxia em espiral no telescópio. Mas com uma forma mais cônica. Continue repetindo, silenciosamente, as palavras que você escolheu. Concentre-se na espiral cósmica de luz e veja-a aproximando-se de você, sinta a energia pulsante aproximando-se. Reconheça os aspectos divinos dessa energia.
Enquanto inspira profundamente, comece a abaixar os braços devagar. A ideia é que você sinta e imagine – com os olhos fechados – que a energia está entrando em você gradualmente pelo topo da cabeça enquanto realiza a ação.
Abra os olhos. A sensação é de estar em um estado de percepção levemente alterado. Mais do que as visualizações e do mantra, este estado se dá pelo poder divino que acabou de acessar.
Olhe os símbolos que você reuniu em honra a Hefesto (neste exemplo). Não medite sobre eles, deixe que seu subconsciente se encarregue de capta-los.
Aqui você começa a ler a invocação que escreveu. Elas são mais que palavras ditas de forma mecânica, cada palavra deve ter um impacto.
Imagine, com os olhos abertos, que a aura prateada reluzente está mudando de forma em torno de você. Esta forma pouco a pouco assumirá a forma de Hefestos.
Apesar de não haver regra quanto a velocidade com que você assume a forma divina, pode ser mais fácil você visualizar as mudanças enquanto recita a invocação. Primeiro as mudanças gerais e depois os detalhes – como moldar uma imagem na argila. Primeiro a forma antropomórfica, depois um esboço das roupas e por fim as características especificas, como cintos e acessórios. Depois deste "aquecimento", trabalhe o rosto.
Terminando de recitar, feche os olhos e conclua a visualização. Reforce-a, retoque-a.
Agora, paramentado e permeado com a forma de Hefesto, comece a atuar no ritual. Ao contrário do que pode-se imaginar, a atuação pode até facilitar a visualização. Ande como Hefesto andaria, mantenha uma feição que estaria no rosto do deus, gesticule como ele faria...não é preciso manter a visualização do cone prateado, apenas a visualização da forma divina cercando você enquanto realiza a magia.
Quando a cerimônia terminar, você vai querer voltar ao seu estado normal de consciência. Anuncie em voz alta que o ritual acabou, agradeça a presença da divindade que lhe prestou auxilio. Não se despesa do deus como se estivesse dispensando um funcionário, como eu já escrevi, os deuses não são temperos em prateleira.
Após agradecer, feche os olhos e visualize a forma divina transformando-se vagarosamente na antiga aura prateada. Inspire profundamente e a cada expiração pausada, imagine a aura se dissipando mais e mais na forma de uma névoa reluzente.

Concluindo


Como sempre, acabei me alonguei demais no texto. Mas espero que dentre a minha profunda redundante redundância você tenha captado a essência da coisa.
Resumindo a explicação à uma síntese máxima, a invocação é chamar para o interior, a evocação é chamar para o externo.


segunda-feira, novembro 25, 2013

Festivais - a Roda do Ano



Continuando a série "Por um Caminho Diferente da Wicca", agora vou abordar os Festivais - para maioria, os Sabbás e Esbás.
Vou falar um pouco sobre a Roda do Ano wiccana e depois mostrar como eu celebro os deuses e o ciclo da natureza. Não pense que pode simplesmente pegar o modo como eu faço e copiar que vai dar certo. Não. Esse calendário eu fiz a partir da minha realidade, para os deuses que eu venero, e para a região onde eu moro. 
Use como exemplo, ou não...tanto faz.

Os Esbás


Resumindo ao extremo: são ritos em honra à Lua.
Considero venerar a Lua algo essencialmente bruxesco. Não importa sua Tradição, não importa sua vertente, o culto à Lua parece ser algo natural para o bruxo.

"Por que cultuar uma deidade a quem não podemos ver quando possuímos a Lua em todo seu esplendor?"
 - Charles G Leland - Arádia, O Evangelho das Bruxas - Pg. 101

Há tradições que veneram todas as fases da Lua, outras apenas as fases Nova e Cheia, mas o mais comum é que os Esbás sejam em honra à Lua Cheia - 13 luas cheias no ano, 13 Esbás.

Como eu celebro


Eu celebro a Lua Cheia e a Lua Nova.
Por venerar exclusivamente o panteão grego, preferi pegar seus nomes também.
Na Lua Cheia, celebro a Dikhomenia, em honra à Selene.
Como já expliquei na primeira parte dessa série, julgo de extrema importância observar a particularidade dos deuses, e como não sou essencialmente duoteísta como a wicca, não vejo razão para chamar um par masculino para Selene. O que quero dizer é que, nas celebrações em honra à Lua/Selene, eu chamo apenas Selene.


É uma época de grande poder, perfeita para encarar fatos difíceis e meditar suas motivações. Atente-se também aos juramentos que faz nesse período.
Na Lua Nova, celebro a Noumenia e o Deipnom de Hekate.
A Lua Nova marca o fim do ultimo mês e o começo do novo. Aqui, não só venero Hekate, na noite mais escura, como a "Portadora da Luz", como também peço por um mês favorável.
Livrar-se do velho também é um processo ritualístico poderoso. É quando eu queimo as ofertas votivas que ficaram no altar durante todo o mês, é quando eu esvazio o conteúdo do meu Kathiskos e e preencho-o com um novo conteúdo.

Como celebrar


Bem. Se está lendo esse texto, talvez esteja iniciando no caminho da Bruxaria por agora. Se é principiante não vou colocar o carro na frente dos bois e colocar aqui um monte passos ritualísticos, cânticos e hinos para você fazer seu ritual.
Vamos com calma. Passos de bebê.
Acredito que pequenos atos possuem grande poder. Podemos começar apenas observando a Lua Cheia. Admirando sua beleza... observe-a plena no céu e deixe que sua mente divague, pensamentos surgirão, talvez você nunca tenha realmente parado para observar sua beleza. Tente sentir a energia d'Ela banhando-te na noite.
Se tem uma divindade lunar em especial, procure por hinos em sua honra. Faça as vezes de um poeta. Recite algo relacionado à Lua - não precisa de um ritual complexo - apenas acenda um incenso, observe a Lua e recite para Ela. Acredite, já é um grande começo.


Os Sabás


Também já explanei sobre eles na primeira parte da série.
Lá eu disse que é importante para um bruxo celebrar os ciclos da natureza, e os Oitos Sabás Wiccanos são os festivais mais comuns e conhecidos.
(Aqui eu tinha uma graaande discussão sobre Roda do Norte e Roda do Sul... mas preferi não colocar. Provavelmente tiraria o foco da postagem, alem de gerar um debate inútil que nunca leva a lugar algum. E mais importante, o objetivo da postagem é ir alem dos 8 sabbás)

Mas repare que o objetivo não é largar os oito sabbás como se eles fossem absurdos ou algo do gênero. Muito pelo contrário! São festivais que já estão muito agregados à nossa cultura, o que eu proponho é que saia da zona de conforto e os explore mais, e principalmente, para que você não fique limitado a eles.
Inúmeras vezes eu lembrei da importância de observar a particularidade de cada divindade cultuada, e por isso deve-se sim separar um dia - um festival - para cada divindade de sua predileção.

Alias, acredito que você celebrará pelo menos uma roda do ano tipicamente wiccana enquanto observa e aprende sobre os eventos da natureza a sua volta no decorrer do ano.

Bem, entrei em contato recentemente com a Roda do Ano Piaga e me pareceu uma proposta bem interessante! Uma roda de ano feita a partir da observação das caraterísticas climáticas da região, bem como dos festivais já existente e que já fazem parte da cultura local.




Não vou enganá-los e dizer que só ao terminarem de ler este texto vão estar prontos para construir seu próprio calendário de ritos. Isso demanda estudo e prática. Vá celebrando a Roda do Ano Wiccana por enquanto, mas mantenha os olhos abertos à sua volta.
Repare nas frutas que só aparecem em determinadas épocas, repare quando começa o período de chuvas,o período de seca, há algum festival regional interessante? Em Litha você se esforça para botar um Gira-sol no altar, mas será que não teria alguma flor ainda mais representativa na sua região?
Bem, a Roda do Ano Piaga é um bom exemplo - apesar de ainda achá-la muito presa à roda wiccana - para saber mais sobre ela, clique aqui

Como eu Celebro


Na Wicca temos os quatro sabbás menores - Yule, Ostara, Litha e Mabon - que são os solstícios e equinócios e os quatro sabbás maiores - Imbolg, Beltane, Lammas, Samhain.

Onde eu vivo há apenas duas estações bem definidas - um verão quente e úmido e um inverno seco e ameno, então eu celebro ambos os solstícios. O equinócio de primavera, temos as primeiras chuvas depois de um longo período de seca, então eu também o celebro como a Chuva das Flores (como é chamado aqui na região).
O equinócio de Outono não tem grandes reflexos na região, mas eu o observo como ponto de equilíbrio - dia e noite com a mesma duração, um fenômeno a ser observado.

Quanto aos sabbás maiores, eu já aconselhei a observar a essência deles. Beltane - como um rito de fertilidade, Samhain - para honrar os antepassados. Curiosamente, por exemplo, na Tradição da Lua Negra, Lammas se associou bastante com o Carnaval...

Além disso, visando a particularidade dos deuses, tenho festivais exclusivos à eles. Os deuses de minha predileção são Hekate, Hermes, Hefestos, Ares, Athena e Hades.
Por venerar apenas o panteão grego, os Reconstrutivistas Helenicos me ajudaram e muito nesse aspecto.
Seguindo o calendário lunar (que começa na lua nova), no primeiro dia do mês, venero Hekate, no segundo dia Agathos Daimon, no terceiro Athena, no quinto Hermes, Selene na Lua Cheia...

Eventos civis podem ser bem adaptados também. Um exemplo? Uma libação à Gaya no Dia da Terra (22 de abril). No dia das Mães, prestar honra a Réia, Hera e Demeter, no Dia dos Pais honrar Zeus Pater.
E claro, temos o famoso 13 de Agosto, consagrado como Dia de Hekate

Também associo alguns deuses a algum mês e presto-lhe uma libação em honra a ele: Maço-Hefesto; Julho-Atena; Agosto-Hermes; Novembro-Ares; 


Como celebrar


Sem mistérios: estudando e observando.
Compre uma agenda, marque as datas dos Solsticios e Equinócios (sim, esse estudo vai demorar no minimo uma ano, se você já ficou com preguiça, pare agora pois na bruxaria você nunca para de estudar). Marque também a data dos quatro sabbás maiores da wicca (do seu hemisfério, é claro).

Vamos lá, equinócio de primavera...o que mudou na sua região? Chuvas? Seca? Alguma fruta da época? ANOTE TUDO!! Veja como os equinócios e solstícios mudam o tempo da sua região.
Nos sabbás maiores, observe se não da para você associar com alguma festa da sua região, descasque o objetivo do sabbá. Como eu disse, na TLN Lammas se tornou muito intimo do Carnaval. Lammas já tinha um caráter de colheita, de festividade...não tem tutorial para fazer isso, vai ter que partir de você. Pergunte-se da razão dos antigos celebrarem nesta data, o que era celebrado, como era celebrado...algum aspecto se reflete hoje? Meditação nunca é demais, as respostas virão.

Monte um calendário. Esbás temos todos os meses...tem mais algum outro festival que será mensal? No meu exemplo, venero Hekate no primeiro dia, Agathos Daimon no segundo, Atena no terceiro e Hermes no quarto dia...

Algum panteão de preferencia? Pesquise a fundo os festivais originais e adapte-os a sua realidade. Algum deus de predileção? É possível que ele também tenha seus próprios festivais, então agregue-os ao seu calendário.
Tente também associar eventos civis à divindades - como no exemplo, fazer uma Libação à Gaya no Dia da Terra

Ao ritual em si...não precisa ter pressa, um ritual sem preparação, sem alteração de consciência, não passa de palavras e gestos teatrais. Comece com pequenos gestos, como eu disse, eles tem grande poder. Observar, recitar poemas, acender velas e incensos...meditar!! Olhar para os deuses fara com que eles olhem para você. Eles te mostrarão o caminho.




Bônus: FAQ para Novos Bruxos
Instrumentos: Athame


segunda-feira, novembro 11, 2013

Sobre o moralismo que não nos deixa



Não é de hoje que criticamos aqueles que saem do cristianismo mas o cristianismo não sai deles.
Não que eu tenha algo contra os cristãos - ok, confesso! Eu tenho sim, pelo menos com a maioria deles. Mas essa não é a questão, a questão é venerar deuses pagãos, se dizer pagão, mas continuar com uma mentalidade cristã.



Quantas vezes eu vi relatos de Afrodite como uma santa cor-de-rosa, senhora do amor e do carinho, renegando completamente sua parte sexual e intensa!
Me poupem! Afrodite não é Virgem Maria, de puro amor, totalmente luminosa, de amor cândido. Existem diferentes tipos de amor, os não correspondidos, os doentios, há a paixão enlouquecedora e o sexo descompromissado, todos nas mãos de Afrodite.
Por acaso Ela não teve filhos com Hermes, Ares e Dionísio, Hefestos não a humilhou publicamente prendendo-a no leito com Ares onde sua traição era revelada à todos pela luz de Apolo (ou Hélio)? 
Vocês não negam a face suja de Lilith, a face vulgar do sexo, as palavras chulas, os atos que ficam entre quatro paredes e suas fantasias mais ocultas, então qual é a razão de negar isso a Afrodite?



A mesma coisa com a nudez.
Já faz algum tempo, mas lembro de Travanás me falar de uma postagem - no Haus of Bruxaria Hipster - onde um dos membros do grupo falou sobre as postagens "imorais" no grupo.
Imorais pra quem? Sob que ótica? 
Por favor! É de se surpreender que ainda hoje o sexo e a nudez ainda sejam um tabu, e é infinitamente mais chocante que sejam tabus entre bruxos.
Ou o que? A nudez só é aceitável no ritual, onde você "veste-se de céu", do contrario é errado? Que viva a hipocrisia então.

Duas postagens minhas na pagina já foram removidas por conterem uma nudez MINIMA (nem vou comentar sobre as politicas do Facebook), então, para não correr mais riscos, repostei-as aqui e continuarei postando as imagens do gênero apenas no blog.


quinta-feira, novembro 07, 2013

Sobre os Deuses de Prateleira


Em uma consulta rápida no oráculo Google encontramos inúmeros feitiços 'receita-de-bolo', a maioria deles conta com a invocação de uma divindade – em feitiços de amor, Afrodite; trabalhos mágicos em geral, Hekate; para disputas, Ares; e até para concursos públicos, Atena.

Não estou criticando feitiços prontos, meu Livro das Sombras está cheio deles, minha crítica é como os deuses são tratados por aqueles que utilizam destes feitiços. No exemplo acima, se você já cultua o panteão grego, não vejo problemas, mas se não trabalha com essas divindades, ai está o problema.

Deuses não são temperos guardados numa prateleira que você usa para intensificar seus feitiços e depois guarda até a próxima vez que precisar deles.

Então, invoque deuses com que já tem proximidade e presta homenagem. Do contrário, realizado o feitiço, oferte oferendas à divindade em agradecimento. Acenda uma vela na cor apropriada, queime incensos....Os deuses não precisam de nossas oferendas, mas lembrar deles é um sinal de respeito bem apreciado.

Como texto complementar, 
indico a leitura de Deus disso, deus daquilo, 
no Diannus do Nemi

Por fim, no ultimo 'Rádio Bruxaria Hipster' surgiu uma duvida de um dos leitores, onde ele nos perguntou se era possível quebrar um voto.
Bem, Travanás salientou a importância do voto como um elo e que ele perde o sentido se você para de viver sua fé. Eu fui um pouco mais intransigente, e disse que se você está pensando em fazer um voto já com a possibilidade de quebra-lo, então é melhor nem fazer!
Um bruxo, acima dos outros, deve reconhecer o poder da Palavra e por isso não lhe faltar com o que foi dito. Mais um reflexo do pensamento cristão é ver os deuses como os santos católicos e os votos como promessas. Um voto não deve ser feito em um momento de aperto - como Travanás muito bem lembrou - ele deve ser feito de cabeça fria, como forma de devoção.
Um voto não é subir uma escadaria de joelhos caso passe no concurso. O voto é um pacto entre você e o deus ao qual você dedicou.
Obviamente, um pouco de discernimento é sempre bom! Não faz sentido fazer um voto de não comer carne para um deus da caça; um voto de castidade faz mais sentido para Héstia que para Afrodite; e um voto de paz à um deus de guerra...bem, acho que entenderam onde quero chegar, certo?


Hekator

terça-feira, novembro 05, 2013

Hércules, 2005





Não são poucos os filmes sobre mitologia grega e em especial com a participação do mais famoso dos heróis helênicos - Herácles, aquele que chegou a tornar-se um deus. Entretanto, são poucos que tem uma boa qualidade. Este em particular, eu adoro.

Há algumas mudanças no roteiro, claro, afinal seria impossível colocar todas as façanhas de Heracles em um filme de algumas horas. Os 12 trabalhos foram reduzidos pela metade. Alguns excluídos, outros tomados como façanhas pessoais, outros - como o das éguas carnívoras e do cinturão da rainha das Amazonas - foram transformados em um único trabalho. Mas isso em nada decai na qualidade do filme, muito pelo contrário

Alcmene, bebendo do néctar da Mãe Hera


No contexto, há uma batalha entre os adoradores de Zeus e os adoradores de Hera. Alcmene, mãe de Hercules, é uma sacerdotisa de Hera e se casa com Anfitrião, fiel a Zeus.

Já no começo do filme vemos uma representação extremamente interessante dos antigos cultos. Alcmene e outras seguidoras de Hera estão na Celebração da Colheita, proibida aos olhos de qualquer homem (que permanecem vendados o tempo todo).
Uma frase marcante já é dita aqui: "Não temo os deuses, temo aqueles que dizem falar em nome deles". Tal frase pode ser a alma do filme, pois nos perguntamos se há realmente uma guerra entre Zeus e Hera, ou se é apenas uma guerra entre seus adoradores, uma vez que todas as desgraças de Hercules acontecem não pelas mãos diretas de Hera, mas pelas de seus seguidores - indo contra a representação comum onde a deusa vista é uma grande vilã de novela.

Observem a ninfa Deaneira, seguidora de Hera, e que no futuro vem a ensinar Hercules, mostrar-lhe a importância do equilíbrio, onde a força de Zeus não é nada sem a sutileza de Hera.
Até mesmo o nome Heracles (Hércules) - Glória de Hera - torna-se um ponto a se observar.

"Do inverno vem a primavera...
Da morte vem a vida"

Não quero cometer o pecado do spoiler, mas peço que fique atento às sutilezas do filme, especialmente neste inicio, como na parte quando o sacrifício do hermafrodita seria sacrilégio pois nenhum homem poderia ver aqueles ritos, entretanto mata-lo seria também matar sua parte mulher.

Por fim, gostaria de me atentar nas seguintes figuras. Anciãs no culto de Hera que sempre estão presentes em momentos 'mágicos', mostrando que sua experiência lhes concedeu conhecimentos únicos. São elas que dão a poção que enlouquece Hércules, e são elas que usam o sangue de parte para trazer de volta à vida uma das Harpias abatidas.







Numa época muito remota, quando Hera e Zeus disputavam o poder, esta rivalidade chegou até os humanos, pois os seguidores de Hera tentavam derrotar os adoradores de Zeus. Neste contexto Alcmena (Elizabeth Perkins), princesa de Tebas e grã-sacerdotisa de Hera, espera o retorno do marido, Anfitrião (Timothy Dalton), que partiu com seus homens para se vingar dos piratas cretenses, que assassinaram alguns parentes de sua esposa. Alcmena anseia que o marido não seja bem- sucedido, pois é um adorador de Zeus. No entanto ele volta vitorioso, tendo matado vários piratas e os restantes estavam sendo levados como escravos. Quase ao chegar um destes cativos, Anteu (Tyler Mane), escapa e ao chegar na praia estupra Alcmena, que na verdade é engravidada por Zeus. Logo depois chega Anfitrião, que a leva ao leito e também a engravida. Alcmena se recusa a ter um filho de Zeus e pensa em matá-lo, mas o oráculo Tirésias (Kim Coates) prediz que ela terá dois filhos e diz que será difícil saber qual é o filho de Zeus. Quando nascem (curiosamente ninguém sabe qual dos bebês nasceu primeiro) duas harpias conseguem identificar qual deles é o filho de Zeus e o chamam de Hércules (Paul Telfer). Alcmena chama o outro filho de Íficles (Luke Ford) e manda que Anfitrião mate Hércules. Ele quase cumpre o pedido mas volta com o bebê, dizendo que se é mesmo o filho de Zeus ele não quer ser o responsável pela sua morte. Alcmena diz que não cuidará da criança e Anfitrião assume a tarefa de arrumar uma ama-de-leite. A rivalidade entre os seguidores de Zeus e Hera vão provocar muitas tristezas para ambos os lados.

Para baixar o filme, segue o link: [Download, legendado]

Hekator



 
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