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quarta-feira, junho 03, 2015

Bruxaria, Bruxaria Tradicional e Wicca - Uma breve revisão

UM PANORAMA SOBRE A BRUXARIA


Hoje em dia no mundo pagão existe uma verdadeira guerra de ignorância com muitas pessoas que sabem muito pouco e adoram falar desse pouco que sabem. Esse meu texto veio de conversas com diversas pessoas, de vertentes variadas, e vou tentar mostrar a realidade misturada com meu ponto de vista. 

A bruxaria é um oficio muito antigo, não sendo ligado a nenhum tipo de religião de forma geral. O oficio da bruxaria é herético e não conhece nenhuma autoridade religiosa além do seu clã (se possuir algum).


Procissão da flagelação - Goya
Nas palavras de Yule Travalon “A bruxaria não viveu dias gloriosos, até mesmo sob poder do Império Romano (pagão). Os sacerdotes dos colegiados pagãos detinham poder sobre as nobres artes, mas para além dessas fronteiras, o poder da mulher do campo poderia ser assustador. Augúrios, adivinhações e práticas de feitiçaria foram também perseguidas entre os pagãos, sendo que, até mesmo durante uma das primeiras perseguições aos cristãos, foram estes acusados de bruxaria. A bruxaria vivia no campo, na cozinha, nos segredos que estavam nas sombras e que povoava o imaginário popular como algo pernicioso. No Império Romano (cristão) não foi diferente, pagãos foram convertidos ao cristianismo e a bruxaria permaneceu clandestina - e sobreviveu de forma clandestina."

Quando em ocasião das últimas perseguições aos cristãos, não apenas seu culto ficou proscrito, como os bacanais (que aconteciam nos bosques pela noite em honra a Baco) e os cultos a Hécate (deusa das feiticeiras) foram também jogados na clandestinidade. Isso ocorreu em um Império Romano que era pagão, o mesmo Império que institucionalmente perseguiu os cristãos.”

Vemos isso refletido nos mitos de Hekate, Medeia e Circe: Três bruxas, mulheres incontroláveis, hereges, temidas pelos homens e que desafiavam a ordem masculina. 

Sendo a bruxaria um oficio e não uma religião, é perfeitamente compreensível que aquela mulher que é católica e fala de Jesus pratique também a sua forma de bruxaria. 

Entretanto, existem algumas religiões que em sua prática se misturam de tal forma com a bruxaria que se tornam indivisível, como no caso da Wicca. Portanto, Wicca cristã é algo que não existe por motivos óbvios. É como uma igreja evangélica e umbandista. 

A BRUXARIA TRADICIONAL


A Bruxaria Tradicional (BT), apesar de um nome só não é uma coisa única: concisa e imutável. Dependendo de grupo para grupo, a BT pode ser puramente oficio ou uma mistura inseparável dos dois. Segundo Zagreus, Sacerdote da Bruxaria Tradicional Ibérica “Em essência a Bruxaria tradicional é o oficio bruxo e feiticeiro, legado de um membro a outro, em linha sucessória de treinamento. Assim algumas possuem um forte viés religioso, em detrimento de outros que não possuem uma fé aliada a práxis, e que se mesclam a diversas fés. Na BTI (Bruxaria Tradicional Ibérica) o Oficio Bruxo e o comungar com os Deuses está estritamente entrelaçado, sendo indivisíveis um do outro. É impossível generalizar sobre a Bruxaria tradicional, graças ao fato de cada caminho ser único e ter se desenvolvido em cantos diferentes, sendo essas duas formas extremos de uma “faixa”, onde existiram tradições tendendo mais a um extremo ou a outro.”

Trocando em miúdos, a bruxaria tradicional são tradições hereditárias, passadas de geração para geração, não sendo apenas familiar mas também iniciática. 

Os BTs acreditam que a bruxaria não é um caminho de todos e que deve ser tomado com seriedade e lógica, coisa que muitos grupos não parecem ter de fato. “Não que alguém seja melhor ou pior por isso, mas simplesmente não é um caminho de todos. É estupidez achar que todo mundo vai se dar bem ou se encaixar em algo. Pintura é para todos? Politica? Sociologia? Medicina? Cristianismo? Budismo? pq bruxaria seria?” confidenciou Zagreus. 

A WICCA E SUA POPULARIZAÇÃO


Doreen Valiente tomando um chazinho com a
amigue Patricia Crowther
A Wicca é uma das formas de religião alternativa muito divulgada ultimamente. Lembro que comecei lendo por ela, assim como grande parte dos pagãos de hoje. Não por se encantar com a expressão religiosa feita aqui, mas pela facilidade de material mesmo (apesar de que hoje em dia existem vários livros disponíveis para download inclusive em nossa biblioteca virtual). 

Criada em meados do século passado, a wicca foi uma forma de religião que juntou suas práticas com a bruxaria. Na época que foi criada, as religiões alternativas estavam saindo do escuro (como o satanismo por exemplo), e uma religião pagã e bruxa teve grande mídia e muitas pessoas quiserem se iniciar. É importante salientar aqui que a Wicca Gardneriana e Alexandrina também são inciática: Ou seja, você só se torna gardneriano a partir de outros gardnerianos. 

Com a difusão da Wicca, começaram a surgir grupos que tinham práticas diversas e não ligadas a Wicca Tradicional, alegando serem iniciados pelas avós, mães, tias, primas, etc. Não vou citar nomes porque já tenho tretas demais nessas costas (nem tão) velhas. 

Uma curiosidade interessante é que a maioria dos wiccanos são homossexuais (talvez como uma forma de sair do sistema patriarcal?). Entretanto, isso acaba sendo contraditório quando lembramos que Gardner, o seu fundador, era extremamente homofóbico e não aceitava homossexuais em seus círculos pois não podiam comungar (fazer o papel do sagrado masculino). Gardner, aceita as gay é pra poucas a cara no sol mana. 

Não vou me estender muito no assunto wicca, mas a mensagem principal é: A wicca não é a única forma de bruxaria e muito menos a mais conceituada. A wicca é a forma mais nova de bruxaria e que se baseia em diversas outras tradições de bruxaria que o Gardner participou. 

IGREJAS DE BRUXARIA E ASSOCIAÇÕES BRUXAS


Bom, eu realmente nem sei muito o que fala desse tipo de instituição. As instituições que tratam disso visam legitimar práticas wiccanas e bruxas, para que seja mais seguro e evite casos de estupros, entre outras coisas. 

O problema ai é o seguinte: Vocês lembram do que eu falei do caráter herético da Bruxaria? Tentar validar o clã do outro é ferir o principio da bruxaria, o principio do segredo de cada tradição. Além disso, esse tipo de órgão visa a união de todos os bruxos, o que seria um caos porque todos eles se odeiam e querem se matar na gilete.

É importante ressaltar que a Wicca “mão-direitizou” a bruxaria, que é totalmente centro-esquerda. Portanto, todo tipo de união de tradições e fiscalização não representa as outras formas de bruxaria além da Wicca. 

A BRUXARIA AFRO: HOODOO E MATRIZ AFRICANA


Quanto os negros africanos vieram para o Brasil forçadamente na condição de escravos, não tinham uma religião em comum. As vezes temos uma visão errônea e muitas vezes preconceituosa de globalizar religiões e povos africanos, mas os negros vieram de regiões muito diferentes, e trouxeram sua cultura e religião consigo. Por serem muito próximas, acabavam tendo elementos parecidos (Assim como as divindades da Europa e Asia Menor), mas não eram a mesma.

Essa estratégia de levar várias pessoas de regiões diferentes para um mesmo local foi usada para desestabilizar quem pudesse restar de resistência. Mas especialmente na América latina e no Haiti aconteceram um fenômeno único: Ao invés de um caminho se sobrepor ao outro, os vários se juntaram inclusive com as crenças regentes no local. 

No caso do Brasil foi criado o candomblé (e diversos outros caminhos atualmente) e no Haiti principalmente o Vodu. 

Esses caminhos tiveram uma forte influência da magia pagã de suas terras natais, assim como influência da religião cristã que vigorava na época. Entendo o trabalho com ervas e com os elementos da natureza, as mães de santo continuavam seus trabalhos passando o conhecimento oral através de histórias, filosofia e principalmente a culinária que até hoje é tão reconhecida. 

Assim como as curandeiras e mães de santo, no Haiti existiem os sacerdotes que desenvolviam seus trabalhos. Com o passar do tempo, o Vodu acabou se misturando com a Bruxaria Europeia e o misticismo indígena, se transformando numa vertente magicka conhecida como Hoodoo, sendo este dividido em Conjure (Feitiçaria) e Rotwoork (trabalho herbal). Mas poderiam essas práticas serem chamadas de bruxaria?

Bom, para entender essa questão devemos lembrar que bruxaria foi um termo criado para designar pessoas que não atendiam a ordem religiosa regente, sendo perseguida principalmente na idade média. Essa era uma forma de opressão e apagamento: Se você pega todas as religiões e chama tudo de bruxaria, quer dizer que tudo é um só, tudo é igual, tudo é do diabo.

A partir de meados do século passado, a palavra Bruxaria (com muito sacrifício) foi ressignificada e passou a se tornar algo bom, voltando a reintegrar a cultura popular por meio de livros (As ficções mesmo) e por meio de religiosidades que surgiram na mídia como já falado. 

Portanto, “Bruxaria” é um termo europeu e branco, não aplicável a religiões indígenas e afro. Mesmo tendo qualidades muito próximas da bruxaria (e as vezes idênticas), essas vertentes tem seus próprios nomes e não tem porque utilizar um outro. 

Concluindo...


A Bruxaria como já sabemos, é um oficio e não está ligada a nenhuma pratica religiosa em si e repugnada por diversas culturas pela história, incluindo a romana que acusava os cristãos de praticarem a tal bruxaria. Entretanto, algumas religiões possuem sua ritualística indissociável da bruxaria, como algumas formas de BT que cultivam em sua cultura o oficio da bruxaria. 

No Brasil, temos uma mania terrível de pender a bruxaria e estar a todo tempo querendo mostrar o seu lado bom e a Bruxaria nunca foi vista com bons olhos porque nunca quis. Ela é um caminho das sombras, um caminho marginal e que não deve nada a nenhum outro. Não temos formas de legitimar a tradição de bruxaria do outro. Cabe a cada um o senso do que deve ou não deve ser feito, e tentar impedir isso (por mais bondosa que seja a causa) é uma ofensa a essência da bruxaria, que é a liberdade. 

A única coisa que tenho a dizer aos iniciantes é: Observam bem onde estão se metendo. A duvida é primordial para o crescimento, e duvidar nos da a proteção que precisamos para atingir o nosso objetivo sem sermos barrados por charlatões que pregam uma bruxaria bondosa e saladas místicas que não existem. Sempre que for tentar alguma tradição, procure seus prós e contras. Um pé atrás (Ou na frente, neste caso) nunca fez mal a ninguém.


Livros que indico:
De Camelot ao olimpo. Livro que fala sobre religião comparada da Europa e Asia Menor.

Posts indicados:
Um caminho diferente da wicca
Sobre o moralismo que não nos deixa
Certo? Errado? Aceitável! 







HEUSTAM (Lucas Oliveira) cursa nutrição na União Metropolitana de Educação e Cultura (UNIME). Se diz pagão. Acredita que a ordem gera o caos, e por consequência o caos gera a ordem. Ama o fogo, e como ele, gosta de consumir tudo ate o fim. Adora selvagerias e qualquer coisa que seja tribal. Raríssimas vezes discute seu ponto de vista, por que se cansou de perder tempo discutindo.

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Os tipos sensitivos: Xama, o ciclo da vida e da morte.





            É acreditado que há cerca de 500 mil anos os nossos ancestrais conseguiram dominar o fogo, o que deu base para a continuidade e evolução da nossa espécie ao que vemos hoje. Com o fogo, nos protegemos e cozinhamos os alimentos que antes não eram possíveis de comer, nos dando a opção de plantar e forçando o surgimento das primeiras civilizações cerca de 8 mil anos antes da era comum.

Junto com a evolução da humanidade como civilização, vieram as evoluções religiosas. Estima-se que o xamanismo foi a primeira expressão religiosa do homem, a sua ligação primaria com os elementos, com os espíritos naturais e com a cura da alma que se mantiveram vivas nos povos indígenas que foram dizimados por nossa sociedade expansionista e segregativa.

Sabemos que nosso mundo é percebido por meio dos sentidos. Os cinco sentidos nos situam no universo, entretanto, são falhos e não conseguem detectar diversas coisas como ondas de radio ou ruídos supersônicos.  O significado de xamã é “Aquele que enxerga no escuro”, que fecha os seus sentidos para ver com os olhos da alma, simbolizada na imagem do post pelo homem com o rosto coberto e um olho em sua mão. 
Todo ser humano possui o centro de perigo que não sei exatamente onde fica (vergonha, pois ensino neuroanatomia e neuromorfologia), mas provavelmente entre o diencéfalo e o córtex motor. Mas o xamã é extremamente instintivo, conseguindo detectar situações que sejam favoráveis a ele e a sua tribo e as que são perigosas. 



 O que é ser um xamã  hoje

O Xamã é o elo entre o homem e o divino, sendo uma ponte entre o mundo espiritual e o mundo carnal. O seu trabalho é guiar o seu povo e ajuda-los na cura de sua natureza interior, curando a natureza exterior.
O nível de empatia de um xamã é extremamente alto, entretanto, ele possui uma espécie de empatia espiritual, que lhe da a capacidade de interpretar os sinais físicos e espirituais de qualquer tipo de ser.
Assim como os outros sensitivos, não podemos nos tornar xamã. Segundo a teoria, o xamã é um escolhido dos deuses nesta terra, sendo então um dom intransferível e inegável. Negar o seu caminho é negar a sua vida e ser condenado a uma pobreza espiritual e um vazio extremo. Nas palavras do xamã Trovão Retumbante, respondendo as duvidas de um aprendiz:



Não se trata de uma escolha sua. Você não tem o direito nem autoridade para interferir nos desígnios do criador: Foi escolhido para se tornar um Curandeiro muito antes de encarnar nessa Terra. É seu dever e responsabilidade atender ao chamado.
Certamente é uma vida muito dura. Mas o Grande Criador sabe, a mãe terra conhece e as suas legitimas afinidades na natureza também percebem. As diversas pessoas que você curar; ajudar e ensinar também reconhecerão e acima de tudo, o que é mais importante: Você saberá. E quando as situações cruciais se abaterem sobre você, terá que sorrir e suportar tudo.


Entretanto, para curar o seu povo, o xamã precisa passar por uma serie de provações iniciaticas, conhecendo todos os seus elementos interiores e se conectando inteira e totalmente com a natureza por meio de sucessivas mortes e renascimentos.


As Características 

O xamã tem como características a sensação de solidão e incompreensão, como se vivesse na superfície do universo e tivesse perdido um anel de ouro em suas profundezas. Algumas lendas dizem que o xamã na verdade possui duas almas, sendo uma delas o sussurro divino, ou seja, a guiança, a capacidade de ouvir o seu próprio eu que lhe concede conselhos baseados em sua memória celular (memória de tudo o que já viveu em todos os universos paralelos e vidas).
A conexão com a natureza também é uma característica xamanica, possuindo uma empatia animal muito grande. Certa vez, conversando com a xamã Aisha, ela me contou uma historia muito interessante de que quando ela estava no Peru, uma aranha enorme (tarântula) apareceu e o caseiro pegou álcool e fósforo para mata-la, mas ela impediu e perguntou se ele gostaria de ser queimado vivo. Ela estendeu a mão para a aranha, que subiu e ficou no ombro dela ate o fim do dia.
Mas sem duvida uma marca muito forte deste chamado é a infância. Eles têm experiências traumáticas com o mundo físico que fazem se voltar para dentro: Um acidente de carro, uma perda, ou simplesmente um contato com um abatedouro. Enfim, qualquer coisa que marque a sua alma ao ponto de fazer refletir mais cedo do que deveria.

A capacidade xamanística

Por ser um elo entre o homem e o divino, o xamã em sua caminhada precisa entender o seu próprio ser e acessar a sua memória celular, conectando-se com os espíritos ancestrais e com os espíritos naturais.
Segundo a filosofia deles, o processo de cura físico só pode ter inicio quando começa também o processo de autoconhecimento.
Ele esta preso na teia da vida e pode caminhar por ela. É comum aos xamãs aparecer em lugares que são necessários e deixar-se levar pelo destino, o que acaba levando-os aos seus antepassados.
Outra capacidade muito interessante dos xamãs é a certa facilidade de descolar do corpo e a propensão a viagens astrais, sonhos lúcidos e visões. Certa vez ouvi uma historia da crença nórdica de que o universo é uma arvore energética, onde cada mundo e realidade são ligados as outras por galhos desta arvore. Geralmente a iconografia da arvore vem com um bicho nas raízes, um esquilo no meio e um corvo no topo, sendo o bicho indefinido o espírito de destruição que tenta acabar com a arvore, o espírito guia seria o corvo e o esquilo o xamã, que tem a permissão de subir e descer pela arvore quando achar necessário.

A entrega e os quatro elementos.

O escolhido pelos deuses deve, acima de tudo, e entregar ao acaso. Essa entrega é um teste de fe em si e no destino.
Na caminhada xamã, existem diversos rituais necessários para que haja a completa entrega, conhecendo os elementos como parte de você e superando seus medos que rondam cada um deles. Vou digitar agora partes de um livro da Alba Maria (Autora do livro "A voz dos quatro elementos"), uma xamã da Bahia que possui um sitio xamanístico em Simões filho – Salvador.

Água

Água divina, purifica meu ser, limpa minhas células.
Renova cada rio interno meu, circula
Em mim o teu amor e a tua luz cristalina.
E assim é.

“Vi-me atacada a uma canoa desgovernada, vagando velozmente em direção a uma estrondosa cachoeira. Senti meu sufoco, minha falta de ar. Estava caminhando para a Grande Senhora da Transformação : A morte. Nada podia fazer enquanto o desespero e a dor tomavam conta de mim. [...] E escutei uma voz doce como a melodia dizer-me: “Sou o espírito das águas. Para compreenderes meus Mistérios, te convido a penetrar em mim e deixar-me penetrar em teu ser. Vem, entrega teu corpo suavemente e assim experimentaras os dois lados de mim: minha solidez e minha flexibilidade. Eu sou a circulação da terra e represento o sangue terreno. Fluo por entre as pedras e nada detém minhas caminhada. Venho, minhas querida, do muito alto, em forma de chuva, fecundar, através de meus raios, a terra, elemento sagrado. E encher suas veias sob a forma de rios e cachoeiras. Junto, eu e a terra, caminhamos para o grande útero de mim mesmo: O mar. O que temes? A morte? Já não morres e vives a cada segundo? O que esperas conservar? Não sabes que um dos teus maiores ensinamentos eh o desapego? Soltar absolutamente tudo e ficar com aquilo que é mais sagrado: Tu mesma. Vem, confia.”  

Fogo

Meu elemento amado
A ti abro o meu coração
Para sentir a tua chama e nela me envolver
Danço minha dança e em ti revelo o meu ser, feminino,
Masculino, inebriante como o viver.

“Esperávamos a lua cheia aparecer no céu.[...] Eu sentia cheio de celebração no ar. Pensava comigo mesma se iria passar novamente nas brasas. Perguntava ao grande espírito por que precisei passar Poe este teste sozinha.[...] Dançamos sem cessar durante duas horas. O suor descia pelo meu corpo e meus olhos já não mais enxergavam a fogueira inicial. Agora para mim, só havia luz. Uma grande bola de lua no centro e os sons contínuos e sequenciados. Recordei-me de quando descobri meu elemento cura – o fogo. [...] Fui chamada ao centro do circulo. As brasas estavam com num tapete crepitante. Ela (eu) olhou dentro de mim, dos meus olhos, segurou minhas mãos e beijou-as numa atitude de profunda reverencia. Dirigiu-se ao fogo emitindo sons absolutamente criativos cuja compreensão só podia se fazer pelo coração. Ali estava eu, completamente entregue. O céu estava limpo, sem uma nuvem sequer. Passei pelas brasas com a ajuda daquela mulher, índia, senhora dos elementos, também fogo, eu. Todos estavam silenciosos. A partir daquele momento, também pertencia a tribo dos pássaros de fogo. 

Terra

“E ela respondeu  “Sou muito mais do que vocês me conhecem. Sou senhora da matéria e do divino. Sou aquela que se rasteja pela erra para dela extrair o conhecimento. Enquanto me desloco, absorvo o significado de cada partícula desse planeta em meu corpo para que um dia todo esse aprendizado se transforme em sabedoria, fazendo-me transitar entre o céu e a terra. Sou a ilusão e o real daquilo que chamam de realidade. Religiões me colocaram como símbolo do pecado, mas verdadeiramente sou símbolo do conhecimento e da sabedoria.” [...] “Olha nos meus olhos, mergulha nos teus portais, aqui e agora, pois soh assim poderás me compreender.[...] Não há mais separação, mas um sentimento de união com o universo e com o que esta alem dele. É exatamente ai que pode perceber o poder (da terra) em sua plenitude, só então se é livre de verdade.”

Ar

Meu elemento aliado
Sempre me ajudaste em todos os meus trabalhos
A ti me entrego neste momento mais uma vez
Para ser o canal através do qual tua voz é ouvida.

“”Quem é você?“ perguntava ao que ele respondia: “Eu sou o Ar, aquele que te da a vida e a morte, sou o que te faz respirar” ”Por que você se afasta de mim? Vai embora e eu lhe busco e não encontro?” “Me afasto para que você se aproxime do que chamam de morte, e me aproximo para que você possa sentir aquilo que chamam de vida.” “O que é a vida e a morte? “ “É um grande e poderoso movimento que chamam respirar. Vida é o movimento de preenchimento, enquanto morte é de esvaziamento.”[...]Pedi: “Por favor, me explica melhor o significado de tudo isso” “A respiração é o fio invisível que liga todos os seres deste planeta ao Grande Espírito. Ela em si é uma, mas como todo e qualquer processo que aqui na terra ocorre, torna-se dual. Assim, o que é um – o respirar - torna-se dois – o inspirar e o expirar. Eis um dos Mistérios” 


Quanto as claris

Sitio  xamanístico de Alba Maria em Salvador - Bahia. 
Quanto as claridades espirituais, o xamã pode ter varias delas, sendo as mais fortes a clarivisão e a clariaudição. Em rituais xamanísticos é normal o uso de substancias para alterar a consciência e desenvolver visões como o consume da Salvia divinorum e da folha de Coca, alem dos indutores naturais de ritual (tambor e tochas). 











"Nossos ancestrais literalmente fazem parte de nós mediante sua presença em nossos genes. Dentro de cada célula de seu corpo existe um traço microscópico de cada um dos seus ancestrais.” - Livro Descendentes de Denise Linn
Espero que aproveitem o texto
Cya - Heustam
 
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